decoração minimalista

Decoração minimalista: conceitos, princípios e aplicações na arquitetura de interiores

O que é essencial para você e aos seus clientes? Reflita sobre essa e muitas outras questões para desenvolver projetos de arquitetura de interiores segundo a decoração minimalista. Se você não conhece a fundo esse estilo, não deixe de ler até o final. 

Nesse artigo você vai descobrir:

Aproveite a leitura!

O que é decoração minimalista

O minimalismo se apresenta como uma expressão do essencial e do necessário. Através dele, valoriza-se a forma e a função das coisas e dos espaços, em detrimento do supérfluo e do sobressalente. 

As primeiras demonstrações dessa linha de pensamento reportam ao período pós-Primeira Guerra Mundial, pelas mãos do arquiteto Van der Rohe e ganham ainda mais força na metade do séc. XX, com o também arquiteto Buckminster Fuller, e mais tarde com o designer Dieter Rams. São eles, respectivamente, os responsáveis pelos conceitos: “Menos é mais”, “fazendo mais com menos” e o slogan “menos, porém melhor” (segundo uma tradução livre). 

Todos esses conceitos foram e são até hoje muito disseminados no âmbito dos espaços e também em outros contextos, como nas artes plásticas, na moda e no design de produto, tanto físico, quanto digital.

A verdade é que:

“O design minimalista é um dos movimentos de design mais significativos do século XX e início do século XXI. Não é o mais chamativo ou popular, mas sem dúvida abrange mais campos do que qualquer outra arte ou tendência de design. Tudo, desde interfaces de usuário, designs de hardware, carros, filmes e jogos, até design web e os designs visuais de hoje - todos esses campos e muitos outros foram influenciados pelo minimalismo” - Fonte: Spyre studios.

É considerado, por muitos adeptos, como um verdadeiro estilo de vida ou mesmo uma filosofia de vida. Um tema complexo para premissas tão simples, de fato. De acordo com Wall art prints:

“A arte do minimalismo vai além do design de interiores e se apresenta como um estilo de vida. Um estilo de vida que se diz ter muitos benefícios, como mais contentamento, menos stress e mais liberdade.”

Mas, no tocante ao design e arquitetura de interiores, a decoração minimalista se mostra tecnicamente oposta à superestimulação dos sentidos que ocorre nos demais estilos de decoração. 

Aos olhos do minimalismo, espaços muito preenchidos além de serem caóticos, são empecilhos de uma vida leve e descomplicada. Nesse aspecto, é possível perceber de forma bem clara a influência que a cultura japonesa do séc. XVl exerce no minimalismo, através da arte milenar chamada Wabi Sabi.

decoração minimalista

Esse conceito oriental, a grosso modo, significa  “valorizar a beleza nas coisas imperfeitas e simples”, e consiste em uma grande fonte de inspiração para a decoração minimalista, à medida que: 

“Se concentra mais nas pessoas que vivem no espaço do que em qualquer outra coisa. Posses e outros itens são reduzidos ao essencial com base na utilidade, beleza e nostalgia (ou todos os três)” - Fonte: Follow the colours. 

Assim, elementos de cunho decorativo, que não têm função ou uso aos moradores, devem ser descartados, tanto no Wabi Sabi, quanto no minimalismo. O excesso de objetos e detalhes inúteis, de qualquer natureza, também. Na decoração minimalista a palavra-chave é simplicidade, o que não quer dizer (necessariamente) baixo custo de implementação, isso porque não se trata de uma característica determinante. 

Aliás, a sofisticação de um espaço costuma estar associada a escolha de poucas, porém boas (e funcionais) peças de design, seguindo os moldes de Rams. Mas, independente disso, é muito possível aplicar esse estilo de decoração com baixo investimento também.

Princípios da decoração minimalista

Como vimos, temos alguns traços muito peculiares nesse estilo. Atributos tão únicos, que fizemos um resumo com os princípios gerais de uma decoração minimalista. Vejamos: 

✔ Cada escolha importa e se pauta na necessidade do usuário / morador;

✔ Elimina o desnecessário, os acúmulos, o excesso de detalhes e de informações; 

✔ Beleza não é vista como critério de escolha; 

✔ Funcionalidade, organização dos elementos e respaldo no que é essencial;

✔ Espaços livres e design simples são vitais;

✔ Visual limpo, reto (linear), claro e organizado;

✔ Simplifica para ter praticidade e uma vida com mais tempo e sentido;  

✔ Paleta de cores básicas e (com poucas) estampas, geralmente geométricas.

Criterioso por natureza, a decoração minimalista parece seguir na contramão dos demais estilos de decoração. Percebemos isso através da análise da decoração clássica, por exemplo, cuja soma de requinte, arabescos e porcelanas, opõe-se por completo ao conceito de simplicidade empregado no minimalismo. 

Contudo, em termos estéticos, conseguimos visualizar sim algumas semelhanças com outros designs. Nesse sentido, a decoração escandinava é a que nutre maiores semelhanças com a decoração minimalista e, inclusive, recebe influência direta desse estilo. 

É que ambas valorizam a funcionalidade e o reduzido número de elementos no espaço, mas é importante salientar que isso acontece em medidas distintas. O escandinavo é mais tolerante ao aumento de itens que o minimalista, que, por sua vez, é estritamente essencialista. 

Além disso, também existem alguns pontos convergentes entre a decoração boho e a decoração rústica com o minimalismo. Não pela amplitude e liberação dos espaços (porque esses dois estilos preenchem bem mais os ambientes), mas sim pelo fato de utilizarem mobiliários mais naturais, em suas versões mais puras, bem no estilo Wabi Sabi.  

A decoração industrial, por manifestar-se através de linhas retas e materiais de acabamentos considerados mais “brutos” (como concreto, ferro e madeira de demolição), assemelha-se à decoração minimalista nesse aspecto específico. A linearidade das linhas surge muitas vezes através de materiais metalizados, tanto no preto, quanto no dourado. Um detalhe dentre tantos outros que, ao final, resultam no tom leve, livre e de visual limpo.   

Contudo, sabemos que o assunto vai longe e muito além de fatores apenas estéticos. Dentre todos os princípios da decoração minimalista ora elencados, precisamos dar uma atenção especial a um deles: a organização dos espaços, visto que o minimalismo não se realiza na desordem. 

Marie Kondo, autora do método KonMari de arrumação, japonesa e um dos nomes mais famosos da atualidade sobre esse tema, esclarece-nos bem que: 

“O processo de arrumação não consiste em organizar sua casa ou fazê-la parecer arrumada no calor do momento para os visitantes. O processo de arrumação representa um momento decisivo. É sobre considerar seriamente o estilo de vida ideal que você deseja” - Fonte: Habitus Brasil.

Ela afirma também que: 

“(...) Consiste não apenas na simples arrumação, que remove objetos de seu campo de visão, mas em reduzir a quantidade e organizar tudo para que você tenha exatamente aquilo que você precisa, onde precisa”.

Aplicações da decoração minimalista

Decoração minimalista na sala

decoração minimalista
Fonte: Pinterest

Agora que entendemos os conceitos e princípios gerais da decoração minimalista, partiremos para uma abordagem mais prática do tema, focada nos seus projetos de interiores. Em linhas gerais, o conceito do nosso estilo presume adequação do espaço às necessidades de cada indivíduo em todos os cômodos. Em outros termos, forma e função caminham juntas e norteiam todas as decisões. 

Então, antes de prever uma decoração minimalista na sala, procure refletir sobre as funções do espaço para que ele sirva aos seus moradores e não o contrário, lembrando que, nesse estilo, a atenção se volta para os indivíduos e não para as coisas em si. Quer dizer, tudo precisa funcionar, beneficiar as pessoas que moram ali e ser pensado para estar de acordo com o momento atual de vida delas.

É por isso que não adianta, aos olhos desse conceito, guardar coisas que não são usadas há algum tempo, não apenas na sala, como em qualquer outro cômodo. Salvo algumas exceções, claro, como recordações pessoais, registros de fotos / vídeos, e documentos válidos que não tenham backup, que não devem entrar nesse rol de descarte. 

Segundo a decoração minimalista,  os hábitos acumuladores tiram o lugar de itens novos que poderiam de fato fazer a diferença na rotina. Ao invés de facilitar os afazeres domésticos, de proporcionar mais tempo livre e, consequentemente, gerar mais qualidade de vida, fazem o oposto, e ainda é desagradável no quesito estético. Nesse sentido temos, nesse estilo, um pensamento muito voltado ao desapego e ao consumo consciente.

Mas, voltando à decoração minimalista na sala, espera-se um projeto com amplo espaço de circulação. Não que o cômodo precise ter grandes dimensões, porém, no sentido de ter mobiliário na medida exata do necessário, elementos super organizados e atmosfera calma, que atraia por conta da simplicidade e contato com a natureza.

Desse modo, vejamos a seguir algumas recomendações para você criar interiores mínimos com maestria:

✔ Garanta espaços livres: nas prateleiras, móveis, piso, área de circulação, etc; 

✔ Atenção para o excesso de informação visual;

✔ Invista na iluminação como recurso de decoração também. Afinal, fontes de luz são capazes de proporcionar efeitos impressionantes, e quando os espaços seguem a decoração minimalista, eles ganham muito mais notoriedade;

✔ Tenha poucos e bons mobiliários. Aqueles maiores, como sofá e mesa de jantar, vão naturalmente aparecer mais do que os demais, por conta do tamanho. Aproveite esse artifício e selecione bem os modelos, que podem, inclusive, ter formatos mais inusitados (como os orgânicos, por exemplo);

✔ Utilize tons de madeira clara, que vão rebater melhor a luz e trazer mais leveza; 

✔ Preveja um ou outro vaso de planta, responsáveis pela sensação de acolhimento;

✔ Dê destaque para os itens de valor sentimental dos seus clientes.

Decoração minimalista na cozinha

Nas cozinhas, o raciocínio da decoração minimalista segue intacto. Mas, fazemos algumas ressalvas visto que esse talvez seja o cômodo mais funcional (e complexo) de um lar e, por isso, deve receber uma atenção especial. 

✔ Crie uma marcenaria fechada, para reduzir ao máximo aquilo que se vê. Ela precisa ser projetada de forma otimizada e, claro, estar muito condizente com a rotina do seu cliente;

✔ A decoração minimalista na cozinha não é estética sem função, por isso é importante fazer um excelente briefing para entender as necessidades dos seus clientes com profundidade;

✔ Cada família é única e tem demandas diferentes. Algumas cozinham mais, outras passam menos tempo em casa e fazem a maior parte das refeições fora; comem mais ou menos fritura e assim por diante. Então o objetivo maior de uma decoração minimalista na cozinha é pensar em maneiras de descomplicar a rotina doméstica, deixando-a prática, simples e convidativa para todos, moradores ou visitantes.

Decoração minimalista no quarto

Pensar em interiores mínimos, isto é, aos moldes do nosso estilo, já nos remete à atmosfera tranquila e ao bem-estar. Desse modo, as cores e texturas configuram-se de suma importância quando o assunto é decoração minimalista no quarto. Por isso, prefira:

✔ Cores básicas e neutras, na escala de preto, cinza e branco, de temperatura fria ou quente;

✔ Faça o mesmo com as texturas. Se for o caso, adote também algumas estampas de padronagem mais simples ou geométrica, mantendo o cuidado de não se exceder na quantidade de informação visual;

✔ Ao fazer uma decoração minimalista no quarto, dê ênfase ao tato macio, através de lençóis, mantas e edredons, como um convite ao descanso.

Evolução da decoração minimalista

Como todo bom design acompanha a mudança dos tempos, não poderíamos deixar de comentar os eventos recentes da pandemia do Covid -19 e sua relação com a decoração minimalista. Conseguimos visualizar, com certa clareza, uma transformação significativa na maneira como as pessoas estão, hoje, se relacionando com os espaços e aderindo cada vez mais a esse estilo (ainda que associado a outros designs, como à decoração contemporânea).

Diante de uma crise sanitária sem precedentes como a que vivemos e por conta do distanciamento social forçado, sentimos na pele o quanto os ambientes afetam corpo e mente. Decerto, a reflexão do que é essencial faz, hoje, até mais sentido do que antes. Segundo Italian Bark:

“A crise que vivemos corta inevitavelmente o que não era necessário, o supérfluo, sem sentido e dá ao conceito de 'menos é mais' um significado ainda mais poderoso.”

Nesse sentido, citamos como um bom exemplo de aplicação do minimalismo e grande tendência da arquitetura de interiores pós pandemia, o uso de chapelarias no hall de entrada, dispondo de álcool em gel e, por vezes, nichos para os calçados recém-usados. Uma decisão de projeto totalmente vinculada às necessidades atuais, tal como enseja o pensamento por trás da decoração minimalista

Esse estilo de decoração que desde sempre inspira limpeza visual, agora presume a limpeza física também, na medida em que os espaços devem permitir (ou mesmo facilitar) a implementação reforçada de hábitos de higiene dos seus moradores, como medida preventiva de contaminação do vírus. 

De todo modo, com ou sem pandemia, planejar espaços segundo a ótica da “simplicidade como último grau da sofisticação” (nas palavras de Thiessen) pode ser muito desafiador. Olhando bem, a essência da decoração minimalista está por toda parte e através dela, nós temos, no mínimo, um bom convite para repensar certas atitudes do nosso dia a dia. Que tal pensar em formas de simplificar a sua rotina dentro da arquitetura também? 


Até a próxima, 

Equipe Vobi


Referências:

www.wallartprints.com.au

www.spyrestudios.com

www.home.tarkett.com

www.hunker.com

www.loftyou.com

www.expama.com

www.followthecolours.com.br

www.habitusbrasil.com

www.pensador.com 

www.pinterest.com.br

Continuar lendo

Conteúdos VIP
Faça parte da lista de conteúdos VIP.
Receba semanalmente conteúdos selecionados pela a nossa equipe.
Sem spam!

Seu negócio de Arquitetura e Construção ainda não é digital?