Arquitetura de Interiores
May 19, 2021

Arquitetura de Interiores: mais de 10 estilos para aplicar nos seus projetos

A arquitetura de interiores geralmente é associada à estética dos espaços, sendo considerada a responsável por deixar os ambientes mais belos e sofisticados. Apesar de a plasticidade ser um dos objetivos do arquiteto de interiores, essa disciplina é muito mais completa e abrange outras competências como a funcionalidade e o conforto dos ambientes. 

Ao contrário do que muitos imaginam, a arquitetura de interiores não se aplica apenas a projetos de luxo, com acabamentos refinados e artigos selecionados. Ela pode ser aplicada a todos os espaços, organizando fluxos e otimizando as condições de habitação ou uso, sempre visando a melhoria da qualidade de vida dos usuários. Conheça os conceitos, a história e as características e estilos dessa atividade ancestral que é o projeto de ambientes internos.

Aproveite a leitura!

O que é arquitetura de interiores

A arquitetura de interiores é um dos muitos segmentos de atuação do profissional de arquitetura, sendo, por muitas vezes, confundida com toda a formação do arquiteto. Esse equívoco popular deve-se ao fato de que o público leigo, em geral, têm mais contato com pequenas reformas, a nível de interiores, sendo as grandes construções associadas a outras profissões, como a engenharia. Esse estereótipo é reforçado por programas de TV que quase sempre mostram arquitetos como protagonistas de projetos de ambientação.

Essa associação não é de todo imprópria, pois a profissão, apesar de envolver muitos níveis como, por exemplo, a arquitetura e urbanismo que considera o projeto de cidades inteiras, possui como essência o projeto de espaços e, nesse sentido, a concepção dos ambientes internos possui uma relevância inquestionável. Porém, é necessário entender que o papel do arquiteto é muito mais abrangente e que a própria arquitetura de interiores possui um nível de complexidade que geralmente não é reconhecido.

A arquitetura de interiores é uma disciplina que busca o planejamento dos espaços internos abordando os conceitos de funcionalidade, conforto e estética. É claro que, ao contratar esse serviço, o cliente idealiza um espaço “mais bonito”, geralmente não compreendendo o quão benéfico aquele projeto pode ser para sua rotina e saúde. 

“Um designer de interiores é alguém que planeja, pesquisa, coordena e gerencia esses projetos de aprimoramento do interior de um edifício para obter um ambiente mais saudável e esteticamente agradável para as pessoas que usam o espaço.”

O ser humano passa cerca de 90% da sua vida em ambientes internos, de forma que esses espaços estão diretamente conectados às nossas memórias e percepções, sendo capazes de gerar emoções e influenciar comportamentos. Nesse contexto, os conceitos da neuroarquitetura têm tomado destaque, evidenciando cientificamente que elementos da arquitetura de interiores podem afetar na saúde e bem estar físico e mental de seus usuários.

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Fonte: Archdaily

O entendimento dos efeitos da arquitetura no cérebro humano destacam a importância e a complexidade dos projetos de espaços internos. Muito além de decorações e tendências, a arquitetura de interiores é um fator ativo na cognição, influenciando processos de cura, criatividade, produtividade, dentre outros fatores. Com o confinamento, devido a COVID-19, e a saúde humana em pauta, é necessário evidenciar os efeitos dos espaços internos e conscientizar as pessoas da sua importância.

A arquitetura de interiores tem como primeiro objetivo a funcionalidade. O arquiteto deve compreender quem são as pessoas que vão utilizar aquele espaço e para qual função aquele ambiente se destina. A funcionalidade está relacionada ao uso inteligente do ambiente, considerando fluxos, espaços de permanência, atividades exercidas, segurança e todas as necessidades dos usuários.

O segundo objetivo visa o conforto, onde o projetista vai considerar as questões como iluminação e ventilação, combinando elementos naturais com sistemas artificiais, controle de ruídos e qualidade acústica, etc, abrangendo todos os elementos do conforto térmico, acústico e sonoro. Além disso, também vai se atentar às dimensões dos espaços e mobiliários, relativos à ergonomia do ambiente, bem como aos estímulos neurológicos da ambientação, considerando os sentidos humanos, referentes à neuroarquitetura.

Por fim, a arquitetura de interiores tem como objetivo a configuração de uma estética adequada ao ambiente. A definição da plasticidade dos espaços internos considera os fatores anteriores, ou seja a função do ambiente e o conforto dos usuários, em conjunto com estilos estéticos específicos, gosto pessoal ou outro fator de partido. Um ambiente pode tomar partido estético de questões ambientais, concebendo uma arquitetura sustentável, elementos históricos e culturais relacionados aos usuários, elementos naturais relativos ao local de implantação, dentre outros fatores.

A execução da arquitetura de interiores começa pela organização do espaço através do layout, o qual vai utilizar de paredes, divisórias, mobiliários e objetos para definir fluxos e áreas. A segunda etapa considera as intervenções, que podem ser hidráulicas, elétricas, tecnológicas, etc. Elas podem modificar a iluminação, ventilação, executar isolamentos e instalar elementos como brises e prateleiras de luz, para garantir o conforto e funcionalidade.

Por fim, a ambientação vai tratar dos aspectos estéticos e neurológicos do ambiente projetado, especificando materiais para revestimentos e acabamentos, cores, mobiliário, decoração, iluminação, texturas, aromas, sensações, etc. É importante lembrar que a ambientação dos espaços não é apenas visual, ela também é sonora, tátil e olfativa, por vezes, considerando até outros sentidos como o paladar e propriocepção. 

A história da arquitetura de interiores

Desde a antiguidade o ser humano organiza os espaços de acordo com suas necessidades e costumes. A arquitetura de interiores reflete o modo de vida das pessoas, revelando seus hábitos e preferências de acordo com a localidade e a época. Os conceitos de funcionalidade e segurança sempre estiveram presentes na concepção dos ambientes, enquanto as percepções de conforto e beleza sofreram muitas alterações ao longo do tempo. 

Ao estudar alguns mobiliários ancestrais, observamos os primeiros conceitos de cadeira, concebida no Egito há mais de 4.800 anos atrás. Esse mobiliário era baixo e sua principal função era ritualística, pois as pessoas normalmente se sentavam de pernas cruzadas no chão. Na Roma Antiga observa-se o triclínio, um antecessor do sofá, o qual proporcionava uma postura quase horizontal para banquetes e festas. 

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Cadeira de Hatnefer e Triclínio | Fonte: Doméstika

Devido ao vulcão Vesúvio, a cidade de Pompéia da Roma antiga foi fossilizada, permitindo o estudo desses espaços ancestrais. As escavações mostraram que os quartos eram pequenos, mesmo os da nobreza, e os principais ambientes eram destinados ao encontro social, como átrios e salas de jantar.  As casas tinham pouco mobiliário e o principal elemento decorativo eram afrescos nas paredes.

Na Idade Média (Século V - X) existe a consolidação das cadeiras, mantendo as pessoas longe do chão, o qual representava um foco de doenças dessas organizações sociais que não tinham preocupações com a higiene e privacidade. Nesse período, o sistema do Feudalismo é instalado, tendo sua maior maior consolidação no Século VIII. Nessa configuração, lordes e vassalos compartilhavam os espaços e o escasso mobiliário.

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Cadeiras medievais | Fonte: Doméstika

É somente com a Renascença (Século XIV - XVI) que a arquitetura de interiores tem a primeira transformação significativa. A ideia de privacidade é inserida nas organizações sociais, e os espaços íntimos trazem novos mobiliários como penteadeiras, sofás estofados com pernas torneadas, cadeiras luxuosas com acabamento em seda e encosto alto, fogões de chapa de ferro e calefação central. Nesse contexto, os conceitos de beleza e conforto são introduzidos aos espaços internos e os artesãos recebem posição de destaque. 

A virada do Século XX trouxe novos meios de conceber os espaços, guiados pela Revolução Industrial. Na Europa, o estilo Art Nouveau toma destaque. Esse embrião do modernismo trouxe relevância para arquitetos e designers, guiando a concepção dos espaços com vidro, aço e outros materiais que saiam da linha de produção da indústria. Também conhecido como Belle Époque, esse estilo apresenta curvas, figuras femininas, elementos orientais e tropicais e influenciou o mundo inteiro.

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Casa Batlló de Antoni Gaudí | Fonte:Doméstika

Porém, esse estilo não era o único ascendente da época. Na Inglaterra o estilo Arts and Crafts revivia as técnicas de artesanato do período pré-industrial (Século XV - XVI), trazendo vitrais e vidros pintados à mão e mobiliário inspirado na era medieval, o qual se encaixava bem na atmosfera vitoriana. Os Estados Unidos, por sua vez, já estavam consolidando suas cidades com o concreto armado, inventado na Alemanha. As linhas simples e fortes dessas construções influenciaram os mobiliários.

Essa concepção sem luxos desnecessários é a porta de entrada para o Modernismo, o qual vai inspirar duas vertentes de design: o movimento De Stijl na Holanda, em 1917 e a Escola Bauhaus na Alemanha, em 1919. Ambos são afetados pelos efeitos da Primeira Guerra Mundial. A guerra provocou o êxodo rural e a ampla migração para a cidade, forçando as pessoas a habitarem em espaços cada vez mais reduzidos. Nesse contexto, as vertentes se consolidam como o estilo da classe média, com a estética traduzida no minimalismo, linhas racionais e produção em massa

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Poltrona Barcelona de Mies Van Der Rohe | Fonte: Essência Móveis

Em 1920 surge o Art Déco, em um desejo de tornar os espaços individuais e únicos novamente, porém tomando partido dos ideais do modernismo. Esse estilo europeu trás vitrais, porém diferentemente da arquitetura gótica, eles são ordenados por linhas simples e poucas cores. Também traz sofás e cadeiras com estofamento de animais exóticos, detalhes de marfim e objetos de metais nobres, como a prata e o bronze

Ao norte surgia um movimento que iria modificar a arquitetura de interiores outra vez. Inspiradas nas casas ancestrais da Escandinávia, o Estilo Nórdico é a tradução da sofisticação discreta, com madeira clara, tons neutros e pernas cônicas e anguladas (pés palito). É nesse estilo, muito popular atualmente, que o designer dinamarquês Arne Jacobsen concebeu a “egg chair”, utilizada no mundo inteiro. 

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Estilo nórdico | Fonte: Archtrends

Com a globalização, os ambientes internos tendem a se tornarem cada vez mais similares. Salvo pelas diferenças regionais que diversificam materiais, formas e preços, a configuração de espaços tem sido replicada em todo o mundo. Apesar disso, a arquitetura de interiores não segue regras nem limitações, o projetista deve usar o bom senso para atender a funcionalidade do local e da época, considerando influências estéticas internacionais e também culturais e regionais, proporcionando conforto e bem estar.

Características da arquitetura de interiores

Como dito anteriormente, a arquitetura de interiores pode ser muito variável de acordo com suas funções e usuários. Porém, em todos os casos devem ser considerados a funcionalidade, o conforto e a estética do ambiente. Para alcançar esses objetivos, o arquiteto de interiores deve considerar algumas características ao projetar, são elas: 

Layout

O layout de um projeto é responsável por definir a posição do mobiliário, equipamentos e objetos fixos ou móveis. A distribuição desses elementos em planta baixa tem como finalidade organizar fluxos, definir áreas e estabelecer a hierarquia de ambientes de acordo com as respectivas funções e atividades. O arranjo dos espaços e circulações pode ser feito através de paredes, divisórias, painéis móveis e até mesmo objetos, mobiliários e revestimentos distintos, como é o caso de grandes vãos que conjugam vários ambientes. 

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Fonte | Archdaily

Além disso, o layout deve se atentar às questões de acessibilidade e rotas de incêndio, que vão exigir diferentes níveis de sofisticação de acordo com o programa. Essa disciplina também se atenta às dimensões mínimas e máximas de espaços e mobiliários, considerando os conceitos da ergonomia

Apesar das bibliografias referenciais consistentes em relação a certos dimensionamentos, as pesquisas sobre layouts estão sempre inovando e se adequando às novas demandas. É o caso dos microapartamentos e tiny houses, que estudam novas possibilidades para as dimensões mínimas, bem como a concepção de espaços versáteis que, combinados a um mobiliário mutável, permitem a transformação da configuração espacial e da função de um mesmo ambiente com praticidade.

Mobiliários

A escolha dos mobiliários deve ser muito cuidadosa, pois ela influencia todo o ambiente, sendo um ponto chave na composição da arquitetura de interiores. É necessário que os móveis favoreçam as atividades e a rotina dos usuários e considerando as dimensões ergonômicas adequadas às determinadas funções, além de garantir a harmonia visual com os demais elementos de composição. 

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Fonte: Archdaily

A disposição dos móveis não deve afetar a circulação ou o funcionamento de outros elementos. Como falado no tópico anterior, a necessidade da vida contemporânea de habitar espaços cada vez menores gerou a demanda do mobiliário mutável. Outro ponto importante são os mobiliários feitos sob medida, aproveitando todo o espaço disponível no ambiente. 

Ergonomia e Conforto

Os conceitos de ergonomia são considerados na escalas dos móveis e também na escala arquitetônica, analisando as melhores dimensões para circulação, distâncias para assistir televisão, pé direito otimizado para determinada função, etc. O conforto toma destaque nas questões lumínicas, acústicas e térmicas, onde a arquitetura de interiores considera estratégias passivas, tecnologias, isolamentos, cores e intensidades de brilho, dentre outros elementos, para garantir os níveis adequados e experiências desejadas.

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Fonte: Urbana

O arquiteto pode utilizar da neuroarquitetura para provocar diferentes ambientações, utilizando elementos que induzam o comportamento ou sensações desejadas. É importante lembrar que o uso de vegetação também é fundamental para a qualidade do ar e saúde humana, sendo recomendado o uso de uma planta de médio porte a cada 10 m².

Materiais e acabamentos

A escolha dos materiais e acabamentos é um fator essencial na ambientação, definindo texturas, sons e visuais que vão desencadear estímulos neurológicos, interferindo em toda a percepção do espaço. Essa decisão deve considerar os fatores funcionais, estéticos e econômicos, pois as especificações devem sempre otimizar as demandas com o orçamento disponível. 

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Fonte: Casa.abril

Ao definir os materiais, o arquiteto de interiores deve se atentar a fatores como a fabricação, analisando questões de sustentabilidade ambiental e substância de composição, as quais podem desencadear efeitos nocivos ou benéficos a saúde, além de determinarem as propriedades do material, como resistência e flexibilidade, que devem ser adequadas à função - considerando tráfego, exposição ao meio ambiente, limpeza, desgaste, etc.

As especificações da arquitetura de interiores também devem se atentar ao fornecimento e viabilidade de transporte e execução, considerando também os sistemas de instalação necessários, como adesivos e elementos de fixação, que não devem interferir na estética e funcionalidade dos ambientes. 

Estilos de arquitetura de interiores

Assim como os estilos arquitetônicos, os interiores também possuem linguagens estéticas que obedecem alguns parâmetros e tendências. A seguir, vamos apresentar os principais tipos de arquiteturas de interiores. É importante lembrar que esses estilos não são absolutos e podem aparecer mesclados, gerando resultados muito interessantes!

Clássico

Como o próprio nome sugere, é um estilo que nunca sai de moda. Teve origem na arquitetura greco romana, passando por novas interpretações durante a renascença, barroco, rococó e inclusive o estilo contemporâneo. Os ambientes são glamourosos, com mobiliário rebuscado e materiais nobres. Destaca-se o uso de madeiras escuras e mármore branco. Os tons são neutros com uso eventual de cores como o azul-marinho, bordô, verde-escuro e preto. 

Os acabamentos incluem prata, dourado e ferrugem em elementos decorativos e molduras. Esse estilo apresenta colunas, arcos e sancas ornamentadas, remetendo à própria arquitetura clássica. Os elementos de decoração são luxuosos, como cristaleiras, porcelanas, pratarias, bustos, tapeçaria e lustres, que trazem iluminação amarelada e difusa. Também se observa o uso de quadros, livros, abajures, espelhos e arranjos florais. No geral, os layouts buscam a simetria

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Fonte: Spazio.ae

Esse estilo raramente será observado na arquitetura de interiores cotidiana, ficando restrito a halls de hotéis de luxo e algumas residências das classes mais altas que se identificam com o clássico, porém essa estética é amplamente utilizada na ambientação de casamentos, festas de formatura, aniversários de 15 anos, etc. 

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Fonte: Aislesociety

Romântico

O estilo romântico de arquitetura de interiores é bem semelhante ao clássico, porém ele tem uma atmosfera mais intimista, sendo mais comum na configuração de quartos e áreas privadas. Esse estilo traz bancos, camilhas e poltronas acolchoadas, com tecidos macios e almofadas, gerando a sensação de aconchego. As cores são neutras, com paletas em tons de rosa e estampas florais. A decoração utiliza de flores e itens pessoais, como livros e maletas.

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Fonte: mixlar

Assim como o clássico, esse estilo dificilmente será visto na íntegra em interiores cotidianos, sendo restrito a festividades ou em casos de preferência pessoal. O romântico é mais visível quando está combinado a outros estilos - especialmente os mais atuais - como é o caso do exemplo abaixo que une a estética romântica ao estilo nórdico.

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Fonte: detalhesdoceu

Minimalista

A arquitetura de interiores minimalista veio como resposta aos exageros dos estilos anteriores. Ele preza pela funcionalidade do espaço e o mínimo de adornos, trazendo o princípio “menos é mais”. Esse estilo é marcado pela configuração de amplos espaços integrados e uso da luz natural através de grandes painéis de vidro. Ele também trás a “verdade da arquitetura” evidenciando elementos estruturais e trazendo os materiais na íntegra, aplicando as texturas de cimento, pedra, madeira e aço de forma estética. O mobiliário é mínimo, as cores são claras e a decoração é pessoal e pontual.

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Casa de Vidro de Philip Johnson | Fonte: James Ewing Photography

Contemporâneo

O estilo de arquitetura de interiores contemporâneo é mais visível no dia a dia, pois está presente em grande parte dos ambientes internos atuais. Ele preza pela funcionalidade e dispensa os adornos em excesso, seguindo os princípios do minimalismo. Logo, esse estilo também apresenta linhas racionais em sua composição, bem como amplitude de espaços e aproveitamento da iluminação natural, através dos painéis de vidro e outros elementos, como clarabóias e rasgos.  

Assim como o minimalismo, os tons são neutros, porém apresenta pontos de cores vibrantes em elementos isolados. A influência do estilo mínimo também é observada nos materiais, onde se observam revestimentos crus, como cimento e aço, combinados com porcelanatos e mármores. A vegetação ganha relevância para o conforto dos ambientes e, juntamente com estratégias passivas e tecnológicas, destaca-se a preocupação com a concepção de uma arquitetura sustentável

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Casa Flamboyant | Fonte: Archdaily

Retrô

Esse estilo consiste em conceber espaços e mobiliários inspirados no passado, ou seja, ele é uma releitura moderna de elementos antigos. Não é difícil de encontrar eletrodomésticos que receberam uma “adaptação”, trazendo a tecnologia moderna para a estética antiga, como as famosas geladeiras coloridas, máquinas de lavar, dentre outros elementos como mobiliário e decoração. Essa estética traz muitas cores vibrantes, inspiradas no Pop Art

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Fonte: Casa.abril

A cozinha do exemplo mostra a famosa geladeira retrô em amarelo vibrante. Os armários também apresentam verde marcante e apresentam estética antiga, mas ainda assim são projetados - observe como os móveis se encaixam perfeitamente ao espaço e ao fogão. O revestimento imita os motivos cerâmicos e tijolinhos. Esse estilo geralmente aparece combinado a outro, nesse caso observa-se traços do design contemporâneo no cooktop com forno, na cuba esculpida e vegetação.

Vintage

Diferentemente do retrô, a arquitetura de interiores vintage utiliza mobiliários e decorações antigas e originais, sem dar uma nova função ou adaptá-los tecnologicamente. Geralmente essas peças são encontradas em brechós e lojas específicas. As cores podem ser vibrantes, neutras ou pastéis e o uso de materiais é amplo, pois esse estilo geralmente é combinado com outro, trazendo um toque especial, como é o caso da sala abaixo que utilizou uma TV, estante e banquinhos antigos combinados com o estilo nórdico.

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Fonte: Blog.loft

High Tech

São ambientes que fazem uso da alta tecnologia para trazer conforto e sustentabilidade, se assemelhando bastante ao conceito de arquitetura sustentável europeu. Apesar de ser possível - e comum - a integração da alta tecnologia com outros estilos, onde o high tech funciona mais como um elemento do espaço projetado, esse estilo também possui sua própria estética.

A arquitetura de interiores high tech faz amplo uso da iluminação LED, principalmente na cor branca, mas também pode apresentar tons de roxo e azul para a ambientação. Os móveis e revestimentos têm a cor branca como destaque, por vezes, contrastando com preto ou cores vibrantes pontuais. O mobiliário possui curvas sutis e tendem a “envolver” todo o objeto, como se cada elemento fosse um bloco único, que se molda para determinada função. A decoração é mínima ou inexistente e os elementos fundamentais tendem a ficarem “escondidos” até serem solicitados ao uso. 

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Fonte: Design Para Escritório.com

Apesar de algumas vezes o uso de vegetação e luz natural trazer uma maior sensação de conforto, a estética high tech tende a ser muito fria e pouco convidativa para a ambientação residencial, sendo mais utilizadas em escritórios, corporações tecnológicas, áreas de pouca permanência ou ambientes temáticos. Porém, é possível combinar essa estética com outros estilos, gerando espaços muito interessantes. 

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Fonte: Interior Design.net

Rústico

Inspirado em casas de campo, esse estilo traz a madeira como protagonista, utilizada em revestimento, mobiliários e elementos estruturais aparentes. Por vezes, os perfis de madeira dos elementos não são refinados, de forma que fissuras e curvas naturais compõem a estética. Essa estética pode funcionar muito bem com a arquitetura vernacular brasileira. As paredes possuem acabamento em tinta ou tijolos e a paleta de cores é composta por tons neutros e terrosos.

A vegetação, junto com almofadas, tapetes e iluminação quente criam uma atmosfera de aconchego. A decoração se dá em elementos inspirados no campo, como barril, lamparina e bicicleta, bem como utensílios como louças e artesanatos. Os elementos apresentam uma releitura sofisticada de objetos simples, como jarros de vidro, estampas artesanais, dentre outros. A arquitetura de interiores rústica busca uma ambientação intimista e familiar

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Fonte: Entenda antes

Provençal

Esse estilo de arquitetura de interiores é uma junção do estilo rústico com o estilo romântico. O provençal apresenta elementos e mobiliário de madeira do estilo rústico, aparente ou pintada, e linhas sinuosas. Os estofados e almofadas do romântico são abundantes, geralmente em estampas florais ou listras, que seguem uma paleta de tons  azul, rosa, verde e bege, a qual se reflete no ambiente como um todo. A decoração pode apresentar tanto objetos pessoais quanto objetos simples do campo. A ambientação desse estilo é muito intimista e aconchegante. 

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Fonte: Architecture Art Designs

Esse estilo pode ser visto em sua íntegra em residências rurais e ambientação de festividades. Ele também é amplamente utilizado na arquitetura de interiores de quartos infantis, devido a paleta de cores pastéis e o aspecto charmoso e agradável. 

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Fonte: Tua casa

Nas casas urbanas o provençal pode ser observado em conjunto com estilos mais modernos. O exemplo abaixo traz uma cozinha que  agrega uma cuba esculpida e móveis projetados no estilo rústico. Na sala foi utilizado o papel de parede floral e móveis de madeira combinados a um lustre contemporâneo.

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Fonte: Viva decora

Nórdico

O estilo nórdico, como citado anteriormente, tem inspiração nas casas ancestrais da Escandinávia. Atualmente é um dos estilos mais populares na arquitetura brasileira, se mesclando com outros. O material de destaque é a madeira clara, presente no mobiliário, compondo as pernas cônicas anguladas que são marcantes da estética. A paleta de cor é composta por tons neutros claros, utilizando o branco como base nas paredes, os demais elementos aparecem em bege (da madeira), preto e cinza. 

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Fonte: Blog Cyrela

O verde pode estar em elementos decorativos, mas sua principal manifestação é na vegetação. Esse estilo utiliza mantas, tapetes e estofados em tecido macio e felpudo, devido a necessidade de aquecimento nos países nórdicos. A decoração apresenta estampas geométricas, quadros, vasos e outros elementos, de forma simples e organizada.

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Fonte: Anchify

Industrial

Esse estilo de arquitetura de interiores nasceu em Nova York na década de 50, quando galpões começaram a ser utilizados como habitação. Essa estética tem como característica o pé direito elevado dos lofts e geralmente utiliza de estruturas metálicas pintadas em preto, para a composição de mezaninos. Os materiais são crus, como cimento queimado, aço e tijolo aparente. As tubulações fazem parte da estética, bem como luminárias industriais com iluminação quente, trazendo uma ambientação mais aconchegante.

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Fonte: pm365.gq

Os tons são neutros, com destaque para as próprias cores dos materiais e o preto. A decoração e mobiliários são variáveis, mas geralmente apresentam elementos metálicos em preto, reinterpretação de objetos industriais, estofados de couro e madeira. Apesar de ser relacionado a projetos inteiros - os lofts - ele também pode compor a ambientação de espaços isolados, principalmente através das texturas, iluminação, e elementos metálicos em preto.

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Fonte: Blog Telhanorte

Urban Jungle

Como o próprio nome sugere, o estilo de arquitetura de interiores “selva urbana” tem como principal característica o uso extensivo de vegetação natural em espaços urbanos, incluindo ambientes de área reduzida. Ele é ideal para quem gosta de cuidar de plantas, ou pretende aprender. A estética dos elementos é muito versátil, pois, geralmente, aparece combinado com outros, como é o caso dos exemplos abaixo que combinam o urban jungle com o estilo nórdico e rústico. Entretanto, existe uma tendência de uso de materiais que remetem os espaços externos, como madeira, palha, dentre outros. 

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Fontes: Life by Lufe e Blog Phebo

Étnico

Essa arquitetura de interiores visa a valorização de diversas culturas, como oriental, africana, árabe e indígena - a qual pode tomar partido da história da arquitetura brasileira, concebendo ambientações muito interessantes e conectadas às raízes nacionais. Os elementos são muito variáveis, pois dependem da cultura, podendo apresentar tons mais terrosos ou cores vibrantes. No geral, se observa o uso de estampas e artigos tradicionais para a decoração.

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Fontes: A casa delas e Blog Iaza Móveis de madeira

Independente da estética utilizada, o arquiteto de interiores deve sempre prezar pela funcionalidade dos espaços e o conforto dos usuários, estimulando comportamentos positivos e proporcionando experiências únicas, agradáveis e prazerosas. A arquitetura de interiores faz parte das nossas vidas e está intrinsecamente conectada às nossas emoções e pensamento, e sua relação com a estética pode ser descrita na citação a seguir:

“O design de interiores não se conforma em regras ou limitações. Ele é baseado em uma lógica  simples e imutável, proposta por William Morris no século 19: que poucas coisas nos trazem bem estar maior do que viver em uma bela casa.”


Até a próxima,

Equipe Vobi

Referências:

www.blog.unopar.com.br

www.archdaily.com.br

www.domestika.org

www.archademy.com.br

www.archtrends.com

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