Consumo consciente: porque o estilo vintage é uma tendência para 2022

A arquitetura contemporânea está diretamente associada ao conceito de sustentabilidade, visando a otimização de recursos e redução de resíduos. Recentemente, esse pensamento passou a integrar a arquitetura de interiores, inspirando o reaproveitamento de móveis e elementos antigos. Esse consumo consciente trouxe a estética vintage como uma forte tendência para 2022, a qual harmoniza elementos antigos e contemporâneos em um mesmo espaço. Entenda porque o incentivo do consumo consciente é tão importante e como renovar e utilizar peças antigas com muito estilo nas ambientações!

Aproveite a leitura!

Consumo consciente e sustentabilidade

Consumo consciente

A sustentabilidade na arquitetura tem origem em 1972, quando a ONU se reúne para debater sobre o consumo excessivo de recursos naturais, emissão de poluentes e resíduos. Nesse contexto, o conceito de arquitetura sustentável ainda era um embrião, limitando-se a economia de energia através da chamada arquitetura solar. Os anos se passaram e esse conceito foi evoluindo progressivamente, agregando as disciplinas de eficiência energética e conforto, agora com o nome de arquitetura bioclimática.

É somente com a Rio+10 e Rio+20, nos anos de 2002 e 2012 respectivamente, que o termo arquitetura sustentável se consolida, considerando todo o processo de construção, desde a extração da matéria prima até a destinação final dos resíduos pós demolição, tendo como principal objetivo a otimização o uso de recursos e a redução do impacto ambiental e resíduos. 

Agora em 2022, o conceito de sustentabilidade avança para a arquitetura de interiores, trazendo o consumo consciente para os projetos de ambientação. 

“O comprar neste contexto sai do âmbito financeiro pessoal, onde analiso se eu tenho ou não condições de pagar pelo produto, e começa a nos fazer refletir de onde ele veio, por onde passou, quanto combustível foi gasto para que chegasse até mim, quantos e quais recursos naturais precisaram ser explorados para sua produção, quantos profissionais e recursos foram envolvidos em toda a cadeia produtiva, e finalmente, qual o impacto disso tudo no planeta?”

O consumo consciente considera a preservação de recursos naturais - reduzindo a demanda de fabricação de novos móveis, principalmente os fast furniture - e redução de resíduos, através da restauração e reuso de móveis e artigos antigos que, grande parte das vezes, viram apenas entulho.

Essa prática, além de ajudar o meio ambiente, também é uma ótima forma de economizar dinheiro, pois é possível garimpar ou trabalhar com móveis já adquiridos. Portanto, é fundamental que arquitetos e designers saibam como reutilizar essas peças de forma estética e funcional. 

“Quando falamos de consumo consciente na arquitetura e na decoração, o conceito se expande organicamente e torna-se tão amplo que se os profissionais da área não estiverem atentos aos impactos do que está sendo proposto ao longo do processo de planejamento e especificação, estão fadados ao fracasso financeiro do projeto. Custos que facilmente extrapolam o orçamento delimitado e/ou que a médio ou longo prazo se tornarão insustentáveis no dia a dia do cliente final. Os clientes e consumidores, cada vez mais conscientes disso, exigem soluções mais econômicas, criativas e funcionais.”

Podemos abordar o consumo consciente através dos três "R 's" da sustentabilidade:

  • Reduzir: pense se a aquisição de um novo mobiliário ou artigo de decoração é realmente necessária, considerando a restauração de peças já adquiridas.
  • Reutilizar: significa trazer um novo uso para peças obsoletas. Esse conceito é principalmente observado em elementos que não são mais funcionais - telefones, rádios, máquinas de escrever obsoletos - e passam a ser utilizados como decoração. Porém, é possível converter o uso de outros objetos de forma bastante criativa.
  • Reciclar: caso uma peça não seja mais útil, considere vendê-la ou doá-la ao invés de descartá-la, pois o que não tem uso para uns pode ser muito útil para outros.

A tendência Vintage

O consumo consciente levou ao restauro e reuso de mobiliários e peças antigas, os quais compõem o ambiente junto com elementos contemporâneos. Apesar do pensamento ser atual, essa combinação não é novidade. 

O uso de elementos antigos e modernos é conhecido como estilo vintage, já amplamente difundido. Esse estilo se apresenta como uma forte tendência para a decoração de interiores de 2022 justamente porque a sua estética traduz perfeitamente o pensamento de reaproveitamento e reuso sustentável.

Consumo consciente
Fonte: sanctuaryhomedecor

Além das questões de sustentabilidade e economia, o estilo vintage também foi impulsionado devido ao contexto da pandemia. Ao passar mais tempo em casa, surgiram novas necessidades e mudanças de prioridade, com isso, houve uma reorganização de ambientes internos e aumento da preocupação com a saúde física e mental, priorizando o conforto nas ambientações. Mas o que o estilo vintage tem a ver com isso? 

Existem técnicas para projetar espaços confortáveis e uma delas é a decoração comfy, que traz elementos visuais e sensoriais que evocam calma. Outra técnica é o uso de elementos de gosto pessoal do usuário, como decorações e cores específicas que vão trazer a sensação de segurança e lar. 

Os artigos vintage podem ser garimpados, mas a maioria é herdada ou recebida de amigos e parentes, de forma que aqueles objetos possuem um vínculo emocional com o usuário. Estar rodeado dessas boas memórias é muito benéfico para saúde e, por isso, é importante que o arquiteto saiba encaixar esses elementos em uma ambientação contemporânea.

“A nostalgia é particularmente reconfortante quando está associada a uma pessoa importante que pode ter sido o dono do item, como um parente ou amigo. Aquela colcha antiga da casa de seus avós pode lembrá-lo dos abraços calorosos ou palavras de incentivo de seu avô, o que pode realmente fornecer uma sensação de calma física e mental.”

Móveis usados e técnicas de renovação

Se você está pensando em adotar a decoração vintage e o consumo consciente, o primeiro passo é garimpar móveis antigos em bazares, antiquários e brechós. Essa é uma tarefa que exige tempo e paciência, pois é necessário procurar e analisar cuidadosamente, visto que a peça ideal dificilmente vai estar com a aparência ideal, sendo necessário transformá-la. Também é necessário verificar se o móvel está em bom estado estrutural ou se é viável de reforço/conserto. 

Se você já tem um móvel antigo e não sabe o que fazer com ele, não se preocupe. Assim como os garimpeiros, você pode fazer uma intervenção no móvel, resultando em modificações sutis ou transformações significativas do design original. 

Recomenda-se que a intervenção seja feita por profissionais, para garantir o acabamento de qualidade, porém algumas intervenções são mais simples e podem ser feitas através de tutoriais de “faça você mesmo”, o famoso “Do it yourself - DIY”. 

Confira as principais técnicas de renovação para você aplicar no seu mobiliário vintage! 

Restauração

Trata da recuperação do design original das peças. Normalmente é necessário contratar profissionais para realizar o processo de restauração de forma adequada, pois uma intervenção menos especializada pode danificar a peça. 

Móveis restaurados são muito bons para a compor a estética vintage, pois eles sozinhos já são suficientes para trazer a assinatura do estilo. Como a maior parte das peças são em madeira, a composição com outros elementos contemporâneos também é mais fácil. Confira alguns exemplos de móveis antigos restaurados!

Consumo consciente
Fonte: lovegrowswild
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Fonte: followtheyellowbrickhome
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Fonte: ariyonainterior
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Fonte: thelilypadcottage
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Fonte: ellaclaireinspired

Intervenção em detalhes

Uma boa ideia é fazer intervenções em alguns detalhes dos móveis, mantendo aspectos originais em conjunto com novas características contemporâneas. Mudança nos puxadores, estofamentos e combinação com bancadas, por exemplo, trazem uma nova cara para o móvel, sem alterar radicalmente o design original. Esse é um ótimo jeito de conservar a identidade vintage do mobiliário e ainda facilitar a harmonização com os demais elementos contemporâneos. Veja como a intervenção em alguns detalhes pode fazer toda a diferença!

Consumo consciente
Fonte: wilshirecollections
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Fonte: thebathoutlet
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Fonte: 100things2do.ca
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Fonte: curatedinterior

Pintura

A pintura certamente é um dos métodos mais simples e poderosos para renovar o seu mobiliário. Se está pensando em se desfazer daquela mesa ou banquinho de madeira antigos, considere pintá-los, pois certamente vai mudar de ideia. Você pode utilizar cores neutras para trazer sofisticação aos ambientes e facilitar a harmonização com o contexto contemporâneo, ou pode optar por usar cores vibrantes que destacam o móvel vintage no ambiente, trazendo bastante vida para a ambientação.

Recomendamos que a pintura seja feita por profissionais para garantir o acabamento de qualidade, porém é possível executar essa técnica de renovação em casa. Pesquise tutoriais específicos para o móvel e material que será pintado, pois cada um deles exige preparações e tintas diferentes. Confira alguns móveis renovados através da pintura!

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Fonte: arayofsunlight
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Fonte: Pinterest My Homebody Life
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Fonte: faffdesigns
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Fonte: birdonthehill

Pátina

A pátina traz como acabamento um aspecto envelhecido e desgastado do móvel. A técnica consiste em pintar o mobiliário de uma cor base ou preparar a madeira e em seguida aplicar um tom, mais claro ou mais escuro, de acordo com a preferência. Após a secagem, utiliza-se pincéis de cerda dura, palhas de aço, dentre outros recursos para alcançar o efeito de desgaste. A pátina é bem texturizada e traz bastante personalidade para os ambientes, além de ressaltar a antiguidade dos móveis reutilizados. Veja alguns exemplos de renovação com essa técnica!

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Fonte: Pinterest Fabiana Vieira de Vasconcelos
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Fonte: mathisbrothers
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Fonte: debanddanelle
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Fonte: madeiradedemolicao

Estêncil

Essa técnica consiste em estampar uma figura ou motivo no móvel por meio de um molde e tinta. O estêncil é uma técnica carregada de personalidade, pois a estampa escolhida e suas cores, bem como seu tamanho e posição no móvel ilustram bem os gostos pessoais do seu dono. 

Por ser bastante pessoal, é comum ver essa técnica aplicada no estilo “DIY”, onde as pessoas podem comprar moldes prontos ou até mesmo desenhar seus próprios modelos. Porém, é possível encontrar profissionais que trabalham com essa técnica. Se deseja estampar uma peça grande, como uma mesa de jantar, considere contratar um profissional, pois o acabamento pode ser um pouco complicado para iniciantes. Confira esses móveis cheios de personalidade com estêncil!

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Fonte: Youtube Christina Muscari
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Fonte: marthastewart
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Fonte: etsy
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Fonte: cuttingedgestencils

Decoupage

Assim como o estêncil, essa técnica traz bastante personalidade, pois consiste em estampar figuras ou motivos selecionados pelo usuário no mobiliário. A técnica consiste em recortar essas imagens e aplicá-las sobre a superfície, geralmente de madeira, com cola especial. 

A decoupage também é uma técnica muito aplicada no estilo “DIY” e, assim como o estêncil, pode apresentar um acabamento de boa qualidade com um pouco de treino. Porém, se você não possui nenhuma experiência é sempre interessante contar com ajuda profissional. Veja alguns exemplos de móveis renovados com a técnica de decoupage!

Consumo consciente
Fonte: salvagedinspirations
Consumo consciente
Fonte: salvagedinspirations
Consumo consciente
Fonte: salvagedinspirations
“Compor móveis rústicos ou clássicos com um mobiliário mais moderno e contemporâneo, forma um mix de contrastes perfeito, principalmente se você já tem em casa móveis mais tradicionais ou antiguidades, aquelas peças de família com um valor sentimental que passaram de geração em geração, sem dúvidas essas peças podem e devem ser aproveitadas na hora de repaginar a decoração.”

Elementos antigos na decoração

O uso de elementos obsoletos para decoração de ambientes é uma verdadeira assinatura do estilo vintage. Objetos como rádios, televisores e máquinas de escrever, combinados com móveis e até mesmo revestimentos e estruturas antigas, são perfeitos para criar uma ambientação acolhedora e cheia de memórias. 

Além da estética, alguns elementos podem ser também funcionais. É o caso de louças, luminárias, porta retratos, relógios, espelhos, alguns equipamentos eletrônicos, dentre muitos outros. Confira algumas inspirações de como utilizar esses elementos na decoração vintage!

Objetos obsoletos em decoração

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Fonte: shinysquirrel.typepad
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Fonte: sarahjoyblog
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Fonte: themimiodyssey

Objetos funcionais vintage

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Fonte: cotemaison.fr
Consumo consciente
Fonte: abowlfulloflemons
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Fonte: Pinterest Blog Gosto Disto
“É interessante buscar acessórios para todos os cômodos, portanto, pense em utensílios de cozinha, porcelanas, luminárias, cristais, telefones antigos, relógios, aparelhos, quadros e porta-retratos. Objetos metálicos, com acabamento prateado, dourado e acobreado são perfeitos para uma decoração vintage.”

Reuso criativo

Como vimos anteriormente, os artigos vintage podem manter a sua função original, mesmo depois do processo de renovação, como é o caso de mobiliários e objetos funcionais. Alguns elementos são obsoletos e passam a servir apenas como artigos de decoração. Porém, existe uma terceira possibilidade onde um elemento tem a sua função alterada, a esse caso chamamos de reuso.

É importante ir para o garimpo ou visualizar a sua peça com a mente bem aberta e deixar a criatividade solta, pois nunca se sabe como um artigo pode ser reutilizado. Consulte muitas referências antes de sair de casa e tente pensar fora da caixa. Não existem regras nem limites para o reuso criativo, tudo depende da necessidade a ser atendida e das possibilidades que a peça oferece. Confira alguns exemplos de reuso muito interessantes!

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Fonte: creapills
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Fonte: boredpanda
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Fonte: blog.iazamoveisdemadeira
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Fonte: decorfacil
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Fonte: Pinterest Baslen Kemlin
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Fonte: casaprosadecor

A decoração vintage depende da composição harmônica de elementos antigos e contemporâneos, criando uma atmosfera acolhedora e significativa para o usuário sem deixar de lado a sofisticação e conforto da atualidade. Também é importante alimentar a imaginação para criar reusos inovadores que contribuem para a funcionalidade dos espaços. 

Assim como a arquitetura sustentável, é papel do arquiteto estimular o consumo consciente e advogar pela sustentabilidade dos ambientes internos, orientando usuários que desejam utilizar peças antigas e incentivando seu uso, mostrando que é possível criar interiores incríveis com mobiliários e artigos antigos. 


Até a próxima,

Equipe Vobi


Referências

www.studioideacao.com

www.blog.lineabrasil.com.br

www.sustainable9.com

www.decorfacil.com

www.vivadecora.com.br

www.apartmenttherapy.com

www.tuacasa.com.br

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