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Como abrir um escritório de arquitetura passo a passo

Por Equipe Vobi
escritório de arquitetura

Está pensando em abrir um escritório de arquitetura, mas não sabe por onde começar? Empreender em um novo negócio pode parecer uma ideia intimidante, mas com o conhecimento e ferramentas adequadas é possível tornar o seu sonho em realidade. Entenda o passo a passo detalhado de como abrir o seu escritório de arquitetura através das seguintes etapas:

Aproveite a leitura!

01 - Registro no CAU

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O Conselho de Arquitetura e Urbanismo - CAU - é responsável por orientar e fiscalizar a atividade profissional em todo território nacional. Para isso, o Conselho Nacional - CAU/BR - conta com o apoio dos Conselhos Estaduais, os CAU/UF, os quais são responsáveis por fiscalizar o exercício da profissão em seu respectivo estado, realizar julgamentos éticos de primeira instância, emitir anuidades, multas, Registros de Responsabilidade Técnica (RRT) e Registros de Direitos Autorais (RDA).

O CAU/UF também é o responsável por realizar inscrições e expedir as carteiras de identificação de pessoas físicas e jurídicas habilitadas. Ambas as carteiras são necessárias para abrir um escritório de arquitetura. O registro de pessoa física é realizado online pela plataforma do Sistema de Comunicação e Informação do CAU (SICCAU). Para realizar o cadastro, será necessário preencher os campos solicitados e anexar os seguintes documentos: 

  • Carteira de identidade;
  • CPF;
  • Portaria de reconhecimento do curso: Este documento confirma que a instituição de ensino possui o aval do Ministério da Educação (MEC). Você pode emitir essa portaria gratuitamente, geralmente ela é encontrada no site da sua faculdade;
  • Comprovante de quitação com o serviço militar: apenas para profissionais do sexo masculino;
  • Comprovante de residência: água, luz, ou telefone;
  • Prova de regularidade com a justiça eleitoral: A certidão de quitação eleitoral pode ser emitida gratuitamente através do Site do Tribunal Superior Eleitoral - TSE;
  • Histórico escolar completo de Arquitetura e Urbanismo;
  • Diploma ou Certificado de conclusão de curso: o certificado de conclusão torna o registro provisório, já o diploma garante o registro definitivo;

Após retirar o CNPJ do seu escritório de arquitetura, processo que será abordado nos tópicos seguintes, você deverá retirar a carteira de identificação da sua empresa para pessoas jurídicas. Assim como o registro de pessoas físicas, esse processo é realizado na plataforma do SICCAU e é totalmente online. Se a sua empresa configurar uma sociedade entre arquitetos e engenheiros, é necessário que ela também seja registrada no Conselho Regional de Engenharia e Agronomia - CREA. Os documentos necessários para cadastrar o seu escritório de arquitetura no CAU são:

  • Comprovante de inscrição do CNPJ;
  • Contrato social, ato constitutivo ou estatuto: devidamente registrado na junta comercial, processo que será abordado no tópico de aspectos legais;
  • Comprovação de vínculo do responsável técnico com a pessoa jurídica;
  • Registro de Responsabilidade Técnica: com atividade de desempenho de cargo ou função técnica do arquiteto e urbanista responsável pelo escritório: também emitido no SICCAU;

02 - Identificação do tipo de empresa

Ao decidir empreender em um escritório de arquitetura, deve-se identificar qual o melhor tipo de empresa para o seu negócio. Necessariamente, os escritórios de arquitetura se configuram como sociedade empresária, a qual contém vários formatos, como MEI, EIRELI, Sociedade Limitada, dentre outros que serão especificados mais a frente. 

A sociedade empresária ou sociedade empresarial é definida no código civil como uma sociedade que exerce uma atividade econômica organizada. Quando falamos o termo “organizada”, significa que o valor final produzido por essa sociedade e que é entregue para o cliente, independente se é um produto ou um serviço, é produzido pela empresa ou pela organização empresarial e não diretamente pelos seus sócios, conforme é feito na sociedade simples.

Se você for atuar como autônomo, pode escolher os modelos de Empresa Individual de Responsabilidade Limitada (EIRELI) ou Sociedade Limitada Unipessoal (SLU), pois o arquiteto NÃO pode atuar como MEI - microempreendedor individual: modelo de empresa que constitui o menor formato empresarial do país e baixo custo com impostos. 

A EIRELI é uma opção para empreendedores que não possuem parceria com outros sócios, porém é importante ficar atento a algumas exigências e restrições. Por exemplo, cada pessoa física só pode ter uma EIRELI e é necessário possuir Capital Social de 100 vezes o salário mínimo brasileiro.

A SLU foi outorgada em 2019 através da medida provisória conhecida como “MP da Liberdade Econômica”, tendo como objetivo a desburocratização da abertura de empresas no país. Apesar de ter “sociedade” no nome, a SLU é formada por uma única pessoa e permite a abertura do escritório de arquitetura sem Capital Social. Além disso, permite a separação do patrimônio pessoal com o da empresa, de forma que se houverem problemas financeiros, inclusive a falência do escritório de arquitetura, os bens pessoais do empreendedor não poderão ser utilizados para quitação de débitos. 

Se o seu escritório de arquitetura for atuar com sócios, o modelo de empresa será o de Sociedade Limitada. Esse modelo também é flexível nas exigências para abrir uma nova empresa e apresenta custo reduzido para esse processo.   

03 - Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ)

Primeiramente, é necessário entender que o CNPJ é apenas uma parte do processo burocrático que vai garantir que o escritório de arquitetura funcione dentro dos aspectos legais da constituição brasileira. Vamos abordar uma visão geral de todo processo de registro e regularização, porém recomenda-se a contratação de um contador e um advogado para acompanhar os detalhes desse processo, certificando a conformidade com a lei para evitar possíveis prejuízos com multas. 

Esse processo começa com a obtenção do Número de Identificação do Registro de Empresas (NIRE), o qual é emitido na Junta Comercial. O NIRE é obrigatório para todas as empresas atuantes no segmento comercial, ele é responsável por garantir a segurança e eficácia dos atos jurídicos e também é obrigatório para a obtenção do Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ) na Receita Federal. O CNPJ é necessário para a realização da Inscrição Municipal ou Estadual junto às Secretarias de Fazenda dos Estados, a qual autoriza as atividades de vendas e funcionamento dos serviços. 

Número de Identificação do Registro de Empresas - NIRE

Para obter o NIRE do seu escritório de arquitetura é necessário reunir alguns documentos e informações que serão requisitados durante o cadastro na Junta Comercial do seu estado. Reunimos os principais dados necessários para concluir esse processo, confira a seguir!

O primeiro passo é definir o modelo da empresa, tópico que já foi abordado. Após isso é necessário definir o nome do seu escritório e registrá-lo no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). A taxa de registro varia de 300 a 500 reais. O registro no INPI garante que você não está utilizando um nome já existente, o que pode levar a processos multas e troca de nome forçada, e também protege o nome do seu escritório de arquitetura, evitando que outra empresa  registre primeiro.

O segundo passo é definir quais atividades serão exercidas no seu escritório de arquitetura e categorizá-las através da Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE). O CNAE é um código composto por sete dígitos que facilita a identificação e cadastro das atividades exercidas por um negócio. Você pode consultar o código das atividades do seu escritório online, através do site do IBGE, utilizando palavras chaves ou descrição da atividade.

O terceiro passo consiste em identificar qual o regime tributário será aplicado ao seu negócio. É necessário estudar cada um desses regimes para analisar qual é o melhor para o seu escritório de arquitetura. De forma geral, a empresa pode optar por três regimes, os quais são definidos pela “contabilizei” como:

  • Simples Nacional: o Regime Tributário mais vantajoso para Micro e Pequenas Empresas, com faturamento de até R$4,8 milhões ao ano, sendo possível recolher todos os impostos com uma única guia.
  • Lucro Presumido: Regime Tributário que calcula os impostos com base em uma previsão de lucro, que varia de acordo com a atividade.
  • Lucro Real: Regime cujo cálculo de impostos ocorre sobre o lucro líquido da empresa.

O quarto passo é a elaboração do Contrato Social, o qual representa a certidão de nascimento do escritório de arquitetura. Ele contém todos os dados básicos referentes ao seu negócio: dados dos sócios, endereço da sede, capital social, regras de participação dos sócios, etc. Além de ser necessário para a obtenção do NIRE, o contrato social também é utilizado para participação de licitações e abertura de conta bancária.  

Ao definir quem são os sócios, o Contrato Social aponta os responsáveis legais pela empresa, ou seja, as pessoas que vão responder em juízo pelo escritório de arquitetura em quaisquer questões legais relativas a este. O Contrato Social pode assumir outros nomes dependendo do tipo de empresa. Por exemplo, no caso da EIRELI chama-se “Ato Constitutivo", mas serve aos mesmos propósitos do Contrato Social.

Após reunir essas informações e documentos, o escritório de arquitetura está pronto para obter o seu NIRE na Junta Comercial e a empresa passa a existir oficialmente, mas isso não significa que já está pronta para operar, pois como vimos anteriormente, ainda é necessário realizar o Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica e a Inscrição Estadual ou Municipal. Para obter o NIRE, a Junta Comercial solicita:

  • Contrato Social, Ato Constitutivo ou similar: em três vias;
  • Cópia autenticada do RG e CPF do titular ou dos sócios;
  • Requerimento padrão: fornecido pela própria instituição, em uma via;
  • Ficha de Cadastro Nacional: modelo 1 e 2 fornecido pela própria instituição, em uma via;
  • Pagamento de taxas: através de DARF;

Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ)

A abertura do CNPJ junto à Receita Federal é realizada online, através do Portal Redesim. O primeiro passo é preencher o Documento Básico de Entrada (DBE) ou o Protocolo de Transmissão da Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica (FCPJ), conforme cada caso. O Coletor Nacional da Redesim possui todas as instruções de preenchimento e navegação. Após o preenchimento, será emitido o recibo da solicitação, o qual deve ser impresso ou salvo digitalmente.

Com o DBE em mãos, será necessário unir toda a documentação requisitada e submetê-la para análise do órgão de registro. Via de regra, os órgãos de registro, que no caso de escritórios de arquitetura são as Juntas Comerciais, são integrados à Redesim e executam a abertura dos CNPJ. Se o órgão de registro não estiver cadastrado, a documentação é submetida diretamente à Receita Federal. No geral a documentação solicitada é:

  • DBE ou FCPJ;
  • Contrato Social, Ato Constitutivo ou similar;
  • Documento de identificação oficial do responsável;
  • Outros documentos: de acordo com a localidade;

Inscrição Estadual ou Municipal

A Inscrição Estadual só é necessária para empresas que envolvem comércio, ou seja, se o seu escritório trabalhar com venda de produtos, essa inscrição será necessária. Caso contrário, apenas a Inscrição Municipal é requerida, pois ela trata de empresas que oferecem serviços. Essa inscrição é realizada junto a Prefeitura do município onde o escritório está localizado e vai fornecer o número de identificação municipal, o qual representa a permissão para o seu negócio funcionar. Essa identificação também é conhecida como Cadastro do Contribuinte Mobiliário (CCM).

A Inscrição Municipal identifica a sua empresa no Cadastro Tributário Municipal, que está diretamente conectado ao Imposto sobre Prestação de Serviço (ISS), logo a Inscrição é necessária  para a emissão de notas fiscais dos serviços prestados pelo seu escritório de arquitetura. Se o escritório envolver comércio, a Inscrição Estadual será responsável por identificá-lo como contribuinte do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).

A Inscrição Municipal também é o primeiro passo para obter o Alvará de Funcionamento, o qual é necessário para todas as empresas que possuam movimentação de público. A localização oficial do escritório de arquitetura, chamada de endereço fiscal, deve ser um imóvel próprio do empreendedor ou possuir permissão de uso do proprietário, como é o caso dos espaços de Coworking, que são locais que assumem o papel do endereço fiscal caso o escritório de arquitetura ainda não possua sede física. 

Para solicitar o Alvará de funcionamento, geralmente é necessário:

  • Formulário próprio da prefeitura;
  • Consulta prévia de endereço aprovada;
  • Cópia do CNPJ;
  • Cópia do Contrato Social;
  • Laudo dos órgãos de vistorias (caso necessário);

No caso do endereço fiscal ser o mesmo do endereço residencial, é preciso tomar alguns cuidados. A Junta Comercial e a Receita Federal não são oficialmente contra a prática de uma atividade comercial ser iniciada em um endereço residencial, porém essa questão varia bastante de acordo com cada município. A possibilidade dessa fusão, bem como a necessidade de Alvará de Funcionamento vai depender de fatores como fluxo de pessoas, armazenamento de mercadorias e até existência de saídas independentes, dependendo de cada cidade.

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Instituto Nacional do Seguro Social (INSS)

O cadastro no INSS, bem como o pagamento dos tributos, é necessário mesmo que o escritório de arquitetura possua apenas um sócio. A inscrição é obrigatória para trabalhador de carteira assinada, profissional liberal ou autônomo (exceto MEI, que não é o caso dos escritórios de arquitetura). A inscrição é feita através do site Meu INSS, clicando na opção “inscrever o INSS” e preenchendo os dados ou ligando para o número 135.

A inscrição é imediata, pois o número de inscrição do trabalhador (NIT) é gerado logo após a solicitação. O número do NIT é o mesmo do PIS, PASEP ou NIS, caso já tenha algum desses cadastros, verifique a necessidade de inscrição ou atualização em relação ao escritório de arquitetura. 

04 - Gestão financeira

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Abrir o CNPJ e colocar o escritório de arquitetura no mercado de trabalho é apenas o primeiro passo da jornada do arquiteto empreendedor. O verdadeiro desafio vem em seguida:  manter a sua empresa ativa e viabilizar o seu crescimento. A pesquisa “Demografia das Empresas”, realizada pelo IBGE em 2017, aponta que 62% das empresas fecham após os cinco primeiros anos de funcionamento. Para pequenas empresas esse percentual sobe para 68,7%. 

Mas por que isso acontece? Um estudo sobre a “Sobrevivência das empresas no Brasil”, realizado pelo SEBRAE em 2016, mostra que os empreendimentos são encerrados por diversas causas financeiras, dentre elas: falta de planejamento e falta de acompanhamento de despesas ou receitas. Ambos os problemas citados podem ser contornados através da elaboração de uma boa gestão financeira para o seu escritório de arquitetura, portanto é fundamental que ela seja considerada desde o início do processo de abertura de um novo negócio.

A gestão financeira trata da administração, planejamento, controle e acompanhamento das finanças de um negócio. Ela busca a maximização dos resultados financeiros através de processos, métodos e ferramentas. A gestão compreende qual a situação atual da sua empresa, entende os seus objetivos, para então traçar estratégias que permitam alcançar as metas. Essas estratégias são referentes ao planejamento, o qual é responsável por garantir o crescimento do seu escritório de arquitetura.

O planejamento vai definir orçamentos, ações e investimentos, compatibilizando a estratégia de vendas e marketing para arquitetos com os recursos disponíveis e objetivos almejados. Após aplicar as estratégias é necessário acompanhá-las, identificando quais são os pontos fortes e fracos para adaptar as abordagens e alcançar os resultados requeridos. A gestão financeira também prevê o planejamento tributário, responsável por lidar com todas as taxas e tributos legais da empresa.

Além disso, a gestão é responsável pelo controle e acompanhamento dos dados financeiros, o que vai garantir a consistência do seu escritório de arquitetura no mercado de trabalho. É através das ferramentas de controle como gestão do fluxo de caixa e gestão de crises que o gestor será capaz de tomar  medidas preventivas contra imprevistos, tomar decisões conscientes e acompanhar o mercado como um todo, para manter o seu escritório competitivo no mercado.

👉 E para se aprofundar mais sobre o tema, não deixe de ler o nosso artigo completo sobre Gestão Financeira.

05 - Marketing para arquitetos

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Como vimos anteriormente, o planejamento elaborado pela gestão financeira abrange a estratégia de vendas e o marketing para arquitetos. Essas duas disciplinas vão acompanhar o funil de vendas do cliente e guiá-los ao fechamento de contratos com o seu escritório de arquitetura. Logo, elas são diretamente responsáveis pelo fluxo de projetos e, consequentemente, pela receita gerada pelo seu negócio.

O funil de vendas representa a jornada do cliente durante o processo de compra. Esse processo é dividido em etapas que filtram as pesquisas e reduzem opções conforme se sucedem, por isso ele é representado como um funil. O topo do funil representa o momento que o cliente está considerando contratar um serviço. Por ser o início do processo, a pesquisa é abrangente e é papel do marketing para arquitetos atrair e interessar o cliente para o seu escritório de arquitetura. 

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Fonte: Kmaleon - editado

O marketing é a principal ferramenta para alcançar novos clientes e parcerias. É através dele que o seu escritório será capaz de explorar novos mercados, fora da sua rede de contatos, ampliando o seu networking de forma consciente, ter independência e assumir uma posição ativa na aquisição de clientes, além de gerar autonomia de mercado, destacando o seu escritório como referência e aumentando as possibilidades de contrato.  

O marketing é um processo responsável por entender o seu produto, o seu cliente, e então gerar uma comunicação que conecta essas duas entidades, possibilitando a troca de valores entre consumidores e fornecedores através da atividade de compra, a qual deve ser benéfica para ambas as partes. A elaboração de um marketing para arquitetos assertivo considera diversas variáveis em um escritório de arquitetura, são elas:

  • Identidade do escritório: tanto visual, a qual diz respeito a elaboração de logotipo e design, quanto conceitual, abordando ideias acerca de valores e missões. Essas variáveis juntas vão originar o branding, que tem por objetivo tornar o nome do escritório de arquitetura desejável e positivo no imaginário coletivo.
  • Público alvo: deve ser selecionado com cautela para elaborar estratégias de marketing direcionadas e assertivas. Para isso, recomenda-se a elaboração de três a cinco “buyer persona” que representam o cliente ideal para o seu escritório de arquitetura e considera características demográficas e abstratas, como hobbies e dores. No geral as persona de arquitetura se dividem em dois grandes grupos: clientes e profissionais.  
  • Produto: são as soluções que o seu escritório de arquitetura oferece. Deve considerar os serviços prestados  e combiná-los com as aspirações do seu cliente, de forma que ele entenda como o seu serviço resolve o problema dele. O seu produto deve gerar criadores de ganho e alívio de dores, criando diferenciais que o destaquem da concorrência. Esses serviços junto com os benefícios vão configurar a proposta de valor do seu escritório.
  • Praça: são os locais onde o cliente entra em contato com o seu produto. As praças podem ser locais físicos, como outdoors e eventos de arquitetura, esse último geralmente mais voltado para o público alvo de profissionais, porém as praças virtuais são os principais meios de contato atuais. As mídias sociais permitem que a sua proposta de valor seja divulgada para um público específico através de diversas estratégias de marketing para arquitetos.

Ao conjugar essas variáveis e personalizá-las de acordo com o seu escritório de arquitetura, é possível traçar estratégias poderosas de marketing, atraindo e interessando clientes para as próximas etapas do funil de vendas. Vale lembrar que essas estratégias devem ser acompanhadas através das métricas, para avaliar os pontos fortes e fracos e adaptar abordagens. As principais métricas para acompanhar nas mídias sociais são: alcance, engajamento, volume (quantas pessoas falam da sua marca) e tráfego de redes (quantas pessoas chegam ao seu site através das mídias sociais).

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06 - Estratégia de vendas

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Após atrair os clientes para as etapas posteriores do funil, está na hora da estratégia de vendas entrar em ação. O centro do funil representa a etapa que o cliente considera o seu escritório como opção, são os chamados leads - pessoas que iniciam contato com o seu escritório e são clientes em potencial. Nessa etapa é importante se relacionar com o cliente e fazer a qualificação, ou seja, identificar se ele realmente se encaixa na sua persona.

A qualificação é responsável por extrair informações. É importante fazer perguntas assertivas para verificar se esse lead é qualificado e também entender qual é o objetivo do cliente e quanto ele está disposto a investir, identificando se esses dados correspondem com os serviços oferecidos pelo seu escritório de arquitetura. Se sim, é importante que você deixe o próximo passo com data marcada: a reunião de briefing, a qual é responsável por entender o objetivo do cliente a fundo e apresentar os serviços do escritório.

A próxima etapa é responsável por converter o cliente, é a oportunidade de fechamento de contrato através da reunião de briefing e apresentação da proposta de valor do seu escritório. Quanto mais detalhada for a qualificação, mais assertiva será a etapa de conversão. Se possível, entenda com antecipação o que o cliente considera como dor e ganho e quais são suas referências, assim você poderá personalizar a proposta de valor e argumentar possíveis objeções, aumentando as chances de fechamento de contrato.

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Fonte: Kmaleon - editado

A apresentação da sua proposta de valor é muito importante, pois é ela que vai “encantar” o consumidor. Envolva o seu cliente narrando a história dele, mostrando os problemas por trás dos seus objetivos e se posicione como a solução. Também é importante falar sobre o seu escritório, pontuar detalhadamente os benefícios oferecidos, explicar o cronograma de trabalho, anexar depoimentos de outros clientes, para então mostrar os respectivos valores que ele investirá nos seus serviços. 

Com isso, será possível guiá-lo ao fundo do funil, o qual representa a tomada de decisão e contrato, tornando aquele lead em um cliente convertido. É importante ressaltar que o acompanhamento se mantém até o final do processo, mesmo após os serviços do seu escritório de arquitetura serem finalizados. Isso porque o cliente continua com dúvidas e tomar esse cuidado pode gerar oportunidades de indicação dos seus serviços, ampliando o seu networking.

A estratégia de vendas, assim como as estratégias de marketing, também deve ter o seu desempenho acompanhado de perto, possibilitando a adaptação e aprimoramento das técnicas. É importante pedir feedback dos seus clientes, mesmo os que não fecharam negócio, perguntando onde o seu escritório pode melhorar, e acompanhar métricas como: taxa de qualificação, taxa de conversão, taxa de perda, custo de aquisição, tempo médio de fechamento e ticket médio.

👉 Se você deseja entender mais sobre estratégia de vendas, basta conferir o nosso artigo completo.

07 - Infraestrutura

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Antes de definir o local ou imóvel que será a sede do seu escritório de arquitetura, é necessário tomar alguns cuidados. Primeiramente, é necessário conferir se a receita para investimento é compatível com os objetivos do seu escritório através da gestão financeira. Após conciliar as suas metas com os recursos disponíveis, preste atenção nos seguintes pontos para evitar prejuízos com regularizações e dificuldades:

Necessidades operacionais: certifique-se que o imóvel ou local atende as necessidades do seu escritório de arquitetura em relação aos serviços de água, luz, esgoto e transporte, bem como caracterização da vizinhança e capacidade de instalação.

Acesso e estacionamento: verifique se o imóvel possui boas condições de acesso e estacionamento, tornando as possíveis adaptações desses elementos menos onerosas ou desnecessárias.

Zona de risco: verifique se o imóvel está próximo ou inserido em zonas de risco de inundação ou deslizamento.

Regularização na prefeitura: certifique-se que o imóvel não sofreu alterações na área construída que necessitem de regularização, bem como se possui o habite-se, documento que autoriza o início da utilização efetiva do imóvel.

Zoneamento do Plano Diretor: certifique-se que o seu imóvel está inserido em área que permite o uso comercial.

IPTU: verifique se o pagamento do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) está em dia.

Legislações locais: verifique se o imóvel está sujeito a outras legislações locais, como normas do Corpo de Bombeiros Militar, licenciamento de placas e letreiros, dentre outros. 

Um escritório de arquitetura com uma boa estrutura física conta com os seguintes cômodos: recepção, sala de trabalho (operacional), sala administrativa, sala de reunião, copa e banheiros. Dentre os equipamentos e materiais necessários, é importante sublinhar: mobiliário de trabalho e armazenamento, computadores, impressoras, materiais de desenho, telefone, internet e uma decoração que combine com a identidade do seu escritório. 

Ainda que você atue como autônomo e realize a parte operacional em sua própria casa, será necessário contar com um espaço profissional para receber os clientes e causar boa impressão, além de dispor de um local que será cadastrado como endereço fiscal na regularização do seu escritório de arquitetura. Se você ainda não possui recursos ou se abrir o próprio espaço não é vantajoso para o seu escritório agora, considere utilizar um espaço de Coworking, você pode encontrá-los em sites como o Coworking Brasil, por exemplo.  

08 - Operação

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A operação do seu escritório de arquitetura vai depender da composição da sua equipe e como ela funciona. Se você for autônomo, identifique quais serviços poderiam ser terceirizados para facilitar a sua rotina e torne isso um objetivo. Até mesmo em casos de sociedade é necessário observar como a equipe se comporta e planejar a sua ampliação de acordo com a necessidade do escritório.

Mesmo que o seu escritório seja em sociedade, a operação dele sempre vai depender de pessoas externas. O produto arquitetônico resulta do serviço de vários profissionais, sejam eles de áreas correlatas, como engenheiros e eletricistas, da própria área, como arquitetos especialistas, designers de interiores e paisagistas, ou fornecedores. Portanto é essencial que você cultive o seu networking profissional, identificando e fidelizando bons parceiros que vão agregar qualidade aos seus serviços e agilizar processos.

A operação do seu escritório também está relacionada aos softwares utilizados. Identifique quais programas são mais utilizados no seu nicho,  isso facilita a compatibilização de dados entre os profissionais relacionados ao projeto. É importante que toda a sua equipe esteja capacitada e domine os principais softwares da área, pois isso interfere muito na dinâmica do escritório. Caso você ou alguém da equipe não possua domínio em algum programa em específico, coloque o curso de especialização como meta na gestão financeira.  

Por fim, o ponto mais importante na operação do seu escritório é projetar. A projetação está diretamente relacionada com o processo criativo, o qual identifica etapas e métodos para se alcançar a solução de projeto. O processo criativo é muito individual, porém ele possui fases em comum entre os projetistas e é importante que você tenha conhecimento dessas etapas para operar o seu escritório de forma eficiente e natural: 

  • Ambientação: estudos relacionados à criatividade mostram que o ambiente de trabalho pode influenciar na capacidade de criação. Áreas verdes, diversificação visual, áreas de isolamento e sociabilidade são essenciais para esse processo. Esses fatores devem ser considerados tanto para escritórios de arquitetura físicos quanto em home office.
  • Demanda: é o momento que são geradas as restrições de projeto, elas vão balizar as próximas etapas, guiando o projetista através dos gostos e objetivos do cliente.
  • Reunião de informações: consiste em reunir todos os dados relativos ao problema. É necessário unir informações relativas a sua área e também de áreas correlatas, pois a inspiração pode surgir de pesquisas que não estão necessariamente relacionadas à arquitetura, mas que se conectam ao tema de alguma forma.
  • Processamento: momento em que as informações reunidas são analisadas. O projetista vai analisá-las através de novas perspectivas e tentar combinar ideias de maneiras diferentes e criativas. Essa associação pode ser feita mentalmente, graficamente e até mesmo de forma inconsciente. 
  • Projeto: momento em que as ideias processadas vão para o papel e começam a tomar forma. Existem diversos métodos de projetação, independente do caso é necessário que o projetista execute sua metodologia através do design thinking, o qual busca a inovação com foco no ser humano, abordando conceitos como empatia, colaboração e experimentação. 
  • Pausa: um dos momentos mais importantes no processo criativo é a pausa, pois o hiperfoco em um problema vicia a visão e limita o cérebro a enxergar novos ângulos e possibilidades. O momento de pausa pode proporcionar um processamento inconsciente e novas conexões. Portanto é essencial que o seu escritório de arquitetura tenha locais que possibilitem o intervalo para descanso.
  • Feedback: É importante testar a sua ideia e apresentá-la. Esperar a solução perfeita para resolver um problema pode prolongar muito o processo criativo, atrasando a operação do escritório. Mostre a sua ideia e aceite as críticas para adaptá-la e melhorá-la. Se o seu escritório de arquitetura é em sociedade, é importante que ele proporcione espaços de troca. Em caso de Home office, procure a opinião de outros profissionais do seu networking.
  • Repetir: é importante entender que processo criativo não é linear, ele é cíclico e o projetista vai repetir essas etapas algumas vezes até encontrar a solução adequada. Quanto mais projetos você executar, mais você vai conhecer o seu ciclo e o tempo de duração, possibilitando a otimização da operação do seu escritório de arquitetura. 

Com todos esses conhecimentos e ferramentas, você possui tudo o que é necessário para abrir o seu escritório de arquitetura acertadamente e construir uma carreira próspera! A Vobi está ao seu lado para te auxiliar na gestão e operação do seu escritório de forma simples e intuitiva, disponibilizando ferramentas, conteúdos e cursos para garantir o seu sucesso nessa jornada. Se aprofunde ainda mais em cada um dos tópicos através do conteúdo que selecionamos para você e comece agora a construir o seu sonho!

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