Negócio

Obras de infraestrutura abriram 79 mil vagas

5/11/2026

A infraestrutura abriu 79.065 vagas formais entre janeiro e agosto, 26,89% a mais que no mesmo período de 2025, e superou a construção de edifícios, mesmo com o nível de atividade da indústria em 45,9 pontos no terceiro trimestre, abaixo da linha de 50, segundo a CBIC.

O estudo "Desempenho da Construção Civil no 3º Trimestre de 2026 e Perspectivas", apresentado em 29 de outubro, aponta 200.431 novos empregos com carteira assinada na construção de janeiro a agosto. Desse total, a infraestrutura respondeu pelo melhor resultado para o período desde o início da série do Novo Caged, em 2020, à frente dos 66.503 postos em edifícios e dos 54.863 em serviços especializados. É apenas a segunda vez em sete anos que as obras de infraestrutura superam os edifícios. O estoque de trabalhadores formais chegou a 3.150.781 em agosto, o maior contingente da série.

Do lado da atividade, a Sondagem da Indústria da Construção, da CNI com apoio da CBIC, registrou 45,9 pontos no trimestre, ante 47,8 no anterior. O principal vilão é o custo do dinheiro: 40% dos empresários apontaram os juros como um dos principais problemas, o maior percentual desde o terceiro trimestre de 2023. A CBIC projeta crescimento de 1,2% do PIB da construção em 2026. O presidente da entidade, Eduardo Aroeira, foi direto ao descrever o efeito:

"A taxa de juros ser elevada realmente impacta bastante o nosso negócio."

Os custos também pesam. O INCC, da FGV, acumulou 6,64% em 12 meses até setembro, acima dos 4,58% da inflação oficial, com a mão de obra em 7,78% e materiais e equipamentos em 6,06%. Já o financiamento imobiliário somou R$ 222,9 bilhões de janeiro a agosto, alta de 20,94%, com o SBPE em R$ 132,5 bilhões (+37,5%) e o FGTS em R$ 90,4 bilhões (+2,79%). As unidades financiadas pelo FGTS recuaram 3,40%, enquanto as do SBPE subiram 35,87%.

Para a economista-chefe da CBIC, Ieda Vasconcelos, o fôlego da infraestrutura não é pontual:

"A gente vivencia um ciclo de expansão da infraestrutura, e esse ciclo é longo e vai continuar."

O saldo de vagas foi positivo em todos os estados, com destaque para São Paulo (34.099), Minas Gerais (25.340) e Bahia (15.688). Energia, transmissão elétrica e instalações industriais lideraram a contratação.

Por que isso importa?

O mercado está se dividindo em dois ritmos: obras de infraestrutura, energia e instalações industriais em expansão, e edificações pressionadas por juros e crédito mais seletivo. Para construtoras e empreiteiras, isso indica onde há demanda e também onde a disputa por mão de obra qualificada será mais forte nos próximos trimestres. Quem trabalha com incorporação deve planejar fluxo de caixa de obra considerando juros altos por mais tempo, e quem tem capacidade técnica para frentes de infraestrutura encontra um ciclo que, segundo a CBIC, deve continuar.

Fontes: CBIC (Infraestrutura lidera geração de empregos na construção, 29/10/2026, com Novo Caged, CNI, FGV e Cbic); Folhapress via Jornal de Brasília (29/10/2026).

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