Engenharia civil

INCC-M sobe 0,35% em outubro e acumula 6,75% no ano

4/11/2026

O Índice Nacional de Custo da Construção-M (INCC-M), da FGV, subiu 0,35% em outubro, acima dos 0,25% de setembro, e passou a acumular alta de 6,75% em 12 meses e de 6,23% no ano.

A divulgação, feita em 27 de outubro, mostra uma mudança de motor na composição do custo. O grupo materiais e equipamentos saltou de 0,17% para 0,41% de um mês para o outro e passou a ser o componente que mais pesa na aceleração. Os serviços também ganharam fôlego, de 0,15% para 0,31%. Já a mão de obra, que vinha liderando as altas nos últimos meses, perdeu força: foi de 0,37% para 0,27%.

O resultado interrompe a sequência de desaceleração que o setor vinha registrando no segundo semestre e recoloca o insumo de obra no radar de quem fecha orçamento. Em 12 meses, o INCC-M de 6,75% segue bem acima da inflação oficial, que a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) apontou em 4,58% no período até setembro, o que significa que o custo da obra continua subindo mais que o preço de quase tudo na economia.

O cenário de insumos ajuda a explicar o movimento. Segundo levantamento da CBIC sobre o Custo Unitário Básico (CUB), o indicador médio do Brasil, calculado em 21 estados, subiu 6,84% em 12 meses até agosto. Nessa conta, materiais e equipamentos avançaram 6,94% e a mão de obra, 6,72%. O destaque entre os insumos foi o fio de cobre, com alta de quase 17% no período, um item presente em toda instalação elétrica de obra residencial, comercial ou industrial.

Há ainda um efeito de calendário que costuma passar despercebido. O INCC-M mede a variação entre os dias 21 de um mês e 20 do mês seguinte, de modo que parte do repasse de reajustes de fornecedores aparece defasada. Quem negocia contratos com cláusula de reajuste pelo índice deve esperar que o resultado de outubro entre nas medições e nos aditivos de novembro e dezembro.

Por que isso importa?

Para quem constrói, a mensagem é que a pressão de custo mudou de lugar: sai a folha de pagamento, entra a nota de material. Vale revisar agora as cotações de cobre, aço e itens de instalações elétricas, antecipar compras de insumos críticos quando o fluxo de caixa permitir e conferir se os contratos de empreitada e de venda de unidades têm reajuste atrelado ao INCC-M. Orçamentos fechados com base em preços de agosto ou setembro já podem estar defasados.

Fontes: FGV Ibre (INCC-M de outubro de 2026, via Estadão Conteúdo/Jornal de Brasília, 27/10/2026); CBIC (Desempenho da Construção Civil no 3º Trimestre de 2026 e Perspectivas, 29/10/2026).

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