Engenharia civil

Soluções baseadas na natureza somam 357 propostas e mais de R$ 10 bilhões em demanda por obras urbanas

30/10/2026

O banco de projetos do Programa Cidades Verdes Resilientes (PCVR), do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, já reúne 357 propostas de soluções baseadas na natureza (SbN) que somam mais de R$ 10 bilhões em demanda, segundo reunião do Comitê de Meio Ambiente e Sustentabilidade da CBIC realizada em 22 de outubro.

SbN vão além do telhado verde. Entram na lista a recuperação de áreas permeáveis, o plantio de árvores, os jardins de chuva e os sistemas de drenagem natural, usados para controlar águas pluviais, reduzir o risco de alagamentos e requalificar espaços urbanos. Para o setor da construção, a novidade é que esses itens passam a formar uma categoria de serviço própria, com técnicas, materiais e orçamentos específicos.

Um dos instrumentos apresentados é o guia nacional de orçamentação, que cobre 15 tipologias de SbN, entre elas jardins de chuva, biovaletas e bacias de retenção. O guia explica como estimar custos e tem como base o Sinapi, a referência de preços usada em obras públicas. Isso tende a padronizar a precificação em licitações e a facilitar a comparação entre propostas.

O principal desafio é transformar planos em projetos executáveis, com governo, iniciativa privada e sociedade civil envolvidos, disse Adalberto Felício Maluf Filho, secretário nacional de Meio Ambiente Urbano, Recursos Hídricos e Qualidade Ambiental do MMA.

Maluf Filho pediu que as empresas adotem as metodologias, conheçam as tipologias, trabalhem com atores locais e ajudem a escalar os projetos. O vice-presidente de Meio Ambiente e Sustentabilidade da CBIC, Nilson Sarti, destacou que a presença da entidade em todos os estados ajuda a difundir o conhecimento e que é preciso respeitar particularidades regionais e reforçar o trabalho com os municípios.

No licenciamento, a gerente de Sustentabilidade e ESG do Secovi-SP, Patrícia Machado Bittencourt, apresentou uma iniciativa com a Cetesb que resultou em um guia de boas práticas para projetistas e empresas. A ideia é aplicar SbN desde a fase de projeto para facilitar a aprovação ambiental. A reunião também tratou da Taxonomia Sustentável Brasileira e da avaliação do Plano Edifica.

Há uma ressalva importante: R$ 10 bilhões em demanda indicam interesse do mercado, mas não garantem contratos. As propostas ainda precisam de aprovação e financiamento, e o banco de projetos busca justamente refinar os estudos e conectá-los a instituições financeiras e fontes de recursos.

O tema conversa com uma realidade que as cidades brasileiras conhecem bem: enchentes recorrentes, ilhas de calor e sistemas de drenagem sobrecarregados. Soluções baseadas na natureza entram como complemento da infraestrutura cinza tradicional, como galerias e canais, e não necessariamente como substitutas. Isso muda a forma de projetar e de executar, já que serviços como plantio, solo drenante e vegetação precisam de especificação técnica, manutenção programada e controle de qualidade como qualquer outro item de obra.

A presença do assunto na pauta da CBIC também sinaliza que a indústria da construção quer participar da construção dessas regras, em vez de apenas reagir a elas. Em um mercado em que prefeituras com poucos técnicos precisam transformar planos em contratos, guias de orçamento e de licenciamento reduzem incerteza para quem vai propor e executar as obras.

Por que isso importa?

Para construtoras de obras públicas, estudar as tipologias antes das licitações pode ser vantagem competitiva, já que a precificação baseada no Sinapi tende a uniformizar contratos. Projetistas e engenheiros que incorporam SbN cedo podem ganhar fluidez no licenciamento, e incorporadores podem prever áreas permeáveis, árvores e drenagem natural já na concepção do empreendimento. Fornecedores de paisagismo, drenagem e terraplenagem também ganham um nicho novo. Em todos os casos, a orçamentação correta desses itens passa a ser parte da rotina de obra.

Fontes: Portal de Notícias da Construção (construcao.com.br), publicado em 23/10/2026, com informações da Agência CBIC; Programa Cidades Verdes Resilientes (MMA).

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