Engenharia civil

Malha Oeste: leilão da ferrovia prevê R$ 35,7 bilhões em obras

3/8/2026

O processo de relicitação da ferrovia Malha Oeste, que liga Mairinque (SP) a Corumbá (MS), deve exigir do futuro concessionário um investimento de R$ 35,7 bilhões em obras ao longo do contrato, além de R$ 53,5 bilhões em despesas operacionais, segundo levantamentos da imprensa regional com base em dados do Ministério dos Transportes e da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

A ferrovia tem extensão oficial de 1.625,30 quilômetros, segundo a ANTT, conectando São Paulo ao Mato Grosso do Sul - trecho que a imprensa do setor também descreve como parte de uma malha de 1.973 km quando somadas ligações complementares. A ANTT aprovou, por unanimidade, o relatório final da Audiência Pública nº 05/2023, encerrando a etapa de participação social e consolidando as minutas de edital e contrato que serão propostas ao Ministério dos Transportes.

A atual concessionária, a Rumo Malha Oeste, controla o trecho desde 2015, mas foi autuada pela ANTT 74 vezes entre 2021 e 2024 por abandonar a faixa de domínio, deixar de trocar dormentes e não manter prédios da linha, segundo a agência regulatória. O histórico de deterioração da via é o principal motivo por trás da relicitação e da exigência de um aporte tão alto do próximo operador.

“Essa decisão reflete o compromisso da Agência com a transparência e a eficiência na regulação de um setor vital para o desenvolvimento econômico do país. A Malha Oeste é essencial para integrar regiões e fortalecer a logística nacional”, afirmou Lucas Asfor, diretor da ANTT e relator do processo.

A ferrovia tem mais de um século de história: foi inaugurada em 1905 como Ferrovia Noroeste do Brasil, incorporada à Rede Ferroviária Federal em 1957 e concedida à iniciativa privada em 1996, antes de passar para a Rumo em 2015. No trajeto, a linha conecta-se a terminais e interligações internacionais relevantes para o escoamento de commodities rumo ao Porto de Santos, rota hoje sobrecarregada pela dependência do modal rodoviário nos trechos mais deteriorados da via.

A retomada da ferrovia é vista como estratégica para o escoamento da produção de Mato Grosso do Sul, reduzindo custos logísticos e ampliando o acesso a portos do Pacífico para exportações rumo à Ásia. A linha integra ainda o programa de leilões ferroviários do governo para 2026, que prevê oito licitações e cerca de R$ 140 bilhões em investimentos no setor ao longo do ano.

O calendário ferroviário do Ministério dos Transportes para 2026 prevê licitações escalonadas mês a mês: o Corredor Minas-Rio em abril, o Anel Ferroviário Sudeste em junho, a própria Malha Oeste em julho, o Corredor Leste-Oeste em agosto, a Ferrogrão em setembro e três blocos da Malha Sul em dezembro. No total, a carteira do setor ferroviário soma R$ 140 bilhões em capex e mobiliza cerca de R$ 650 bilhões em recursos ao longo de mais de 9 mil quilômetros de trilhos - parte de um esforço maior de 21 leilões de rodovias e ferrovias anunciado pelo governo para o ano, com R$ 288 bilhões em obras previstas.

Por que isso importa?

Uma ferrovia mais confiável entre o Centro-Oeste e o porto de Santos afeta diretamente o custo de insumos como cimento, aço e agregados que hoje dependem de transporte rodoviário mais caro em boa parte do trajeto. Para empresas de infraestrutura, o valor do certame também representa uma nova frente de contratos de recuperação de via, pontes e terminais nos próximos anos - um mercado que só se abre à medida que o cronograma de leilões avança sem novos atrasos.

Fontes: Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT); Ministério dos Transportes; Correio do Estado; Programa de Parcerias de Investimentos (PPI).

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