
O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-M), calculado pela FGV, subiu 0,62% em julho de 2026, desacelerando ante a alta de 0,85% registrada em junho - movimento que ainda deixa o acumulado em 12 meses em 6,40%.
A desaceleração mensal é a segunda seguida e aparece em cinco das sete capitais monitoradas pelo índice: Brasília, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Porto Alegre e São Paulo. Na direção oposta, Salvador e Recife registraram aceleração na taxa de variação, mostrando que o alívio nos custos não é uniforme entre as regiões.
O destaque negativo do mês veio do item Mão de Obra, que subiu 0,93% em julho, acima do avanço de 0,91% observado em junho. Enquanto materiais e serviços mostram sinais de acomodação, o custo da mão de obra continua sendo o componente mais resistente à desaceleração, pressionado pela escassez de profissionais qualificados em vários estados.
Na comparação anual, o quadro é de alívio: o INCC-M acumulava alta de 7,43% em julho de 2025, ante os 6,40% atuais - desaceleração de mais de um ponto percentual em 12 meses. Ainda assim, o índice segue rodando acima da meta de inflação geral perseguida pelo Banco Central.
O contexto de juros também pesa sobre o cálculo de viabilidade das obras. Com a Selic ainda próxima de 15% ao ano, a própria FGV projeta queda gradual só até cerca de 12,25% no fim de 2026, o custo de capital para financiar canteiros de obra segue elevado mesmo quando o custo dos insumos desacelera.
O resultado é acompanhado de perto pelo mercado porque chega em um momento de recuperação da atividade. O FGV/Ibre projeta crescimento de 2,7% para o PIB da construção em 2026, enquanto o Sinduscon-SP estima alta de 3,1% para o PIB da indústria da construção no estado - números que dependem diretamente de custos sob controle para se sustentar ao longo do segundo semestre.
Paralelamente, o Custo Unitário Básico (CUB), calculado pelos Sinduscons estaduais e usado como referência para o valor do metro quadrado de construção, terá o dado de julho divulgado até 5 de agosto, um dia após a publicação deste índice, o que deve confirmar ou não a trajetória de desaceleração também na métrica estadual mais usada por incorporadoras para reajuste de contratos de venda na planta.
O INCC-M é apurado mensalmente pela FGV com base em preços de materiais de construção e no custo da mão de obra em sete capitais: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife, Salvador e Brasília - e serve de referência oficial para reajuste de contratos de construção por administração e de parte dos financiamentos de obra no país.
Historicamente, julho costuma marcar o início do período de dissídios coletivos da construção civil em várias regiões, o que ajuda a explicar por que o item Mão de Obra segue pressionado mesmo com o arrefecimento do índice cheio - reajustes salariais negociados em convenções coletivas tendem a aparecer primeiro nesse componente antes de se espalhar para o restante da cadeia de custos.
Para quem incorpora, projeta ou orça uma obra no Brasil, o INCC-M de julho traz uma mensagem dupla: o ritmo de alta dos custos está desacelerando, mas a mão de obra, item mais difícil de renegociar em contratos em andamento, segue subindo acima da média do índice.
Isso reforça a importância de revisar cláusulas de reajuste atreladas ao INCC-M e de monitorar de perto a disponibilidade de mão de obra qualificada na praça onde a obra está localizada, já que esse componente tende a continuar como o principal risco de custo até o fim do ano.
Para orçamentos em elaboração agora, vale simular o efeito de reajustes salariais regionais adicionais nos próximos meses, em vez de assumir que a desaceleração do índice cheio já garante um orçamento de mão de obra estável até a entrega da obra.
Fontes: FGV/Ibre (Portal FGV); CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção); Sinduscon-SP.