
O emprego na construção civil dos Estados Unidos aumentou em 33 estados e no Distrito de Columbia entre junho de 2025 e junho de 2026, segundo levantamento divulgado em 21 de julho pela Associated General Contractors of America (AGC), a principal associação do setor no país, com base em dados federais de emprego.
O Texas liderou os ganhos em número absoluto, com 24.800 novos empregos (2,7%), seguido por Carolina do Norte (15.500 vagas, 5,6%), Ohio (11.900 vagas, 4,6%), Illinois (10.700 vagas, 4,5%) e Louisiana (10.500 vagas, 7,7%). Em termos percentuais, a Louisiana teve o maior avanço em 12 meses, seguida pelo Distrito de Columbia (6,6%) e por Minnesota (6,3%).
Do outro lado, a Califórnia perdeu o maior número de vagas do país (-15.400 empregos, -1,7%), seguida por Virgínia, Nova York, Geórgia e Michigan. No recorte mensal, de maio para junho, 28 estados e o Distrito de Columbia somaram novas contratações, enquanto 20 estados registraram queda.
“Os ganhos de emprego na construção foram mais disseminados em junho, com mais estados contratando do que demitindo, tanto no mês quanto no ano. Estados beneficiados por forte investimento em infraestrutura, energia, manufatura e data centers continuam liderando as contratações, enquanto o custo mais alto de financiamento continua sendo um obstáculo para vários setores privados da construção”, disse Macrina Wilkins, diretora de inteligência de mercado da AGC.
O aquecimento no emprego acompanha a expansão das obras não residenciais no país: segundo a consultoria ConstructConnect, o valor de novos contratos desse segmento somou US$ 368 bilhões entre janeiro e maio de 2026, um avanço de US$ 56 bilhões (18%) em relação ao mesmo período do ano anterior - o ritmo mais rápido desde a pandemia, puxado em boa parte pela construção de data centers para inteligência artificial.
A entidade, porém, alertou que fatores de política econômica podem ameaçar essa trajetória: incerteza sobre tarifas de importação, resistência de estados e municípios à instalação de novos data centers, disponibilidade de energia elétrica para projetos e a falta de avanço no Congresso sobre um novo pacote de financiamento de rodovias e transporte público.
“As empresas de construção continuam contratando onde a demanda é mais forte. Os formuladores de políticas públicas podem ajudar a sustentar esse ritmo garantindo previsibilidade para o investimento em infraestrutura, apoiando a expansão da capacidade energética do país e evitando políticas que aumentem o custo de materiais de construção”, afirmou Jeffrey D. Shoaf, CEO da AGC.
O crescimento do emprego ocorre em meio a uma escassez estrutural de mão de obra que o setor arrasta há anos: estimativas do próprio mercado apontam a necessidade de cerca de 499 mil trabalhadores adicionais em 2026 para acompanhar o ritmo de novos contratos, com quase 94% das construtoras relatando dificuldade para preencher vagas abertas - o que ajuda a explicar por que, mesmo com contratações em alta, salários e prazos de obra continuam sob pressão em boa parte do país.
O mercado de trabalho da construção nos EUA funciona como termômetro de demanda por aço, alumínio e outros materiais que também pesam no custo de obras no Brasil - e a mesma incerteza sobre tarifas americanas citada pela AGC aparece do outro lado do Atlântico nas contas de exportadores brasileiros. Para quem acompanha o mercado internacional de data centers, o alerta da associação sobre resistência local a novos projetos é um dado a mais para entender até onde vai o ciclo de investimento que também impulsiona canteiros no Brasil.
Fontes: Associated General Contractors of America (AGC), levantamento de emprego estadual de junho de 2026 (divulgado em 21/07/2026); ConstructConnect, Construction Economy Brief de julho de 2026.