
Quem está tocando uma obra sentiu o aperto em junho. O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-M), calculado pelo FGV Ibre, subiu 0,85% no mês - acima dos 0,77% registrados em maio e a maior alta mensal do ano até aqui. O levantamento considera preços coletados entre 21 de maio e 20 de junho.
A boa notícia, se é que existe uma neste cenário, está no acumulado de 12 meses: o índice avançou 6,71%, taxa menor que os 7,19% acumulados até junho de 2025. Ou seja, a obra está mais cara mês a mês, mas o ritmo de alta ao longo do ano perde força.
Quem pressionou o índice foi a mão de obra. O grupo subiu 0,91% em junho, mais que o dobro da variação de 0,43% de maio. Já o grupo de Materiais, Equipamentos e Serviços desacelerou, de 1,02% para 0,80% - reflexo de uma trégua nos preços de insumos como materiais para estrutura, cuja variação recuou de 0,99% para 0,73%.
Entre os itens que mais subiram no mês estão tubos e conexões de PVC (+5,01%), salário de armador ou ferreiro (+1,07%), blocos de concreto (+1,02%), vergalhões de aço (+0,99%) e salário de pedreiro (+0,96%). Do lado oposto, o carreto para retirada de entulho recuou 0,17%.
Na cidade de São Paulo, o índice local (ICC-SP) subiu 1,14% em junho, acima da média nacional, acumulando 4,08% no ano e 6,84% em 12 meses. Entre as sete capitais que compõem o índice, cinco desaceleraram: Salvador, Brasília, Belo Horizonte, Recife e Porto Alegre - enquanto Rio de Janeiro e São Paulo aceleraram.
O movimento acontece num momento em que o quadro geral do setor melhora: a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) projeta crescimento de cerca de 2% para a construção em 2026, puxado pela queda da Selic, orçamento recorde para habitação e novas contratações do Minha Casa, Minha Vida. Só que o custo mais alto de mão de obra e materiais come parte dessa margem - e é aí que o planejamento financeiro da obra faz diferença.
Maio e junho concentram historicamente os maiores reajustes salariais da construção, por conta das datas-base das convenções coletivas - o que explica boa parte do salto na mão de obra. Para quem orça e fecha contratos agora, o recado é duplo: o custo da obra continua subindo mês a mês, mas a desaceleração no acumulado de 12 meses é sinal de que a pressão herdada de 2025 está perdendo força. Vale reforçar contratos com cláusulas de reajuste atualizadas e ficar de olho nos itens que mais dispararam - PVC e aço seguem como os maiores vilões do orçamento de obra.
Fontes: Sinduscon-SP / FGV Ibre.

