
O PMI da construção no Reino Unido saltou para 44,7 pontos em julho de 2026, ante 38,4 em junho e bem acima da previsão de 40,0 pontos feita por economistas ouvidos pela Reuters, segundo o S&P Global/CIPS. O indicador segue abaixo da marca de 50 pontos que separa expansão de contração, mas registra o menor ritmo de queda em quatro meses.
Os três subsetores acompanhados pela pesquisa mostraram desaceleração na retração: obras comerciais tiveram o melhor desempenho, com leitura de 46,8; a construção residencial (house building) caiu no ritmo mais lento desde outubro de 2025, em 41,8; e a engenharia civil registrou a queda mais acentuada entre os três, com 38,3 pontos.
Novos negócios caíram no ritmo mais lento em dez meses, e parte das construtoras ouvidas pela pesquisa relatou sinais de virada na demanda de clientes e retomada de oportunidades de licitação, mesmo em meio a condições de mercado ainda fracas. O emprego no setor caiu pelo 19º mês consecutivo, mas também no ritmo mais lento desde fevereiro.
"Os dados de julho sugerem que o desempenho do setor de construção do Reino Unido começou a se estabilizar depois de uma forte desaceleração ao longo do segundo trimestre de 2026", disse Tim Moore, economista do S&P Global Market Intelligence.
Moore acrescentou que "uma melhora renovada no desempenho de fornecedores e uma inflação de custos de insumos mais branda também foram desenvolvimentos positivos em julho". A confiança das construtoras para os próximos 12 meses também melhorou: 38% dos entrevistados preveem expansão da atividade, contra apenas 17% que esperam retração - o nível mais otimista desde fevereiro.
O PMI de construção é calculado pelo S&P Global em parceria com o Chartered Institute of Procurement & Supply (CIPS) a partir de questionários mensais respondidos por gestores de compras de cerca de 150 empresas do setor no Reino Unido, cobrindo obras residenciais, comerciais e de engenharia civil. Por ser baseado em variação mês a mês, o índice funciona como um indicador antecedente: valores acima de 50 apontam expansão da atividade, enquanto valores abaixo (como os 44,7 pontos de julho) ainda indicam contração, só que em ritmo mais brando do que no mês anterior. A trajetória de junho a julho, de 38,4 para 44,7, foi um dos saltos mais expressivos do indicador nos últimos dois anos, ainda que a base de comparação - um segundo trimestre particularmente fraco - ajude a explicar parte da magnitude da recuperação.
Analistas ouvidos pela imprensa britânica ponderam que a melhora não significa necessariamente o fim do ciclo de retração: falta de clareza sobre financiamento público de infraestrutura e o custo do crédito para o consumidor final seguem como fatores de risco para a retomada consistente do setor, especialmente na construção residencial, onde o ritmo de novos empreendimentos ainda depende de uma queda mais firme das taxas de juros do Banco da Inglaterra.
O Reino Unido enfrenta o mesmo dilema que trava boa parte do setor no Brasil: juros altos represando novos empreendimentos e cadeias de suprimento ainda sensíveis a choques de custo. A melhora no desempenho de fornecedores e a desaceleração da inflação de insumos citadas pelo S&P Global são um sinal a acompanhar por quem importa materiais ou negocia contratos indexados a preços internacionais de aço e outros insumos - uma frente de custo que também pressiona orçamentos de obra no Brasil. Serve ainda como parâmetro de comparação: mostra que a estabilização do setor, mesmo em mercados com juros elevados, tende a vir primeiro pelo segmento comercial antes de contaminar residencial e infraestrutura.
Fontes: S&P Global/CIPS UK Construction PMI, Reuters (via Investing.com), Global Banking and Finance, Builders Merchants News.