Tecnologia

37% das construtoras já usam IA: o que o caso Emccamp ensina

13/11/2026

A inteligência artificial já é usada por 37% das empresas do setor, mais que o dobro dos 15% registrados em 2023, segundo o Termômetro do Setor da Construção Civil, da CBIC com pesquisa da Falconi, e um caso concreto de software de projeto mostra onde está o ganho.

O levantamento coloca a IA atrás apenas do BIM, adotado por 55% das empresas, e do Lean Construction, usado por 41%. Na sequência aparecem os drones (28%), a realidade virtual e aumentada (10%) e a internet das coisas (9%). Ou seja, a IA saiu do terreno do experimento e já está na rotina de mais de um terço das construtoras e incorporadoras pesquisadas.

Um exemplo é o da Emccamp, que usa IA para analisar dados geográficos, ambientais e legais na prospecção de terrenos, com apoio do Autodesk Forma. O processamento que antes levava semanas passou a levar dias ou horas. Em 2025, a empresa concluiu 26 projetos com a ferramenta, entregou 85% deles prontos para o início das obras e reduziu o consumo de 13 dos 17 principais materiais. O diretor de Tecnologia e Segurança da Informação, Cássio Lapertosa, resumiu o efeito:

"A utilização da inteligência artificial permite tratar grandes volumes de informações em menos tempo."

O ganho não fica no escritório. Segundo o diretor nacional de obras, Luiz Eduardo Machado, o tempo poupado na fase de estudo se traduz em decisões mais cedo:

"A antecipação das decisões permite que projetos, planejamento e execução trabalhem com uma base comum de informações."

A empresa também trocou materiais, como telha sanduíche no lugar de fibrocimento em duas obras e kits elétricos, hidráulicos e de acabamento produzidos em estrutura própria, e prevê para 2026 estudos com robôs em canteiros. O movimento não é isolado: em 20 de outubro, o Secovi-SP lançou três consórcios de inovação para robotização de canteiros, automação de notas fiscais e uso seguro de IA, reunindo empresas como Cury, Patrimar, Engeform e Trisul. As provas de conceito vão do fim de 2026 ao primeiro semestre de 2027, e uma gerente da Conx relatou ter gastado até R$ 50 mil em um único mês com juros e multas por falhas em notas fiscais.

Por que isso importa?

Com 37% de adoção, usar IA deixa de ser diferencial e passa a ser requisito para quem disputa terrenos, prazos e margens apertadas. O recado prático é começar por onde o dado já existe e o retorno é rápido: análise de viabilidade, compatibilização de projetos e consumo de materiais. Quem ainda trabalha com planilhas soltas e decisões tomadas só na obra tende a descobrir os problemas tarde demais, justamente quando o custo de corrigir é maior.

Fontes: Estado de Minas, Mundo Corporativo (Industrialização e IA transformam construção civil, 09/10/2026, com dados do Termômetro CBIC/Falconi e da Emccamp); Condomínio Interativo (Secovi-SP lança consórcios para robotizar obras e usar IA, 21/10/2026).

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