
A 27ª Construsul: Feira Internacional da Construção encerrou na sexta-feira (7) quatro dias de evento no Centro de Eventos FIERGS, em Porto Alegre, com cerca de 35 mil visitantes e mais de 300 expositores, consolidando-se como um dos principais encontros da cadeia da construção civil no Brasil.
A organização projetava movimentar R$ 900 milhões em negócios durante e após os quatro dias de feira, impulsionados pela estreia de rodadas de negócios previamente agendadas entre expositores e compradores. A edição teve ainda cerca de 50 horas de conteúdo técnico, com palestras, workshops e seminários sobre industrialização da construção, produtividade, sustentabilidade, saneamento, retrofit, impermeabilização e infraestrutura urbana.
Mais de 70% das empresas expositoras já confirmaram presença na edição de 2027, um sinal de confiança no formato e no volume de negócios gerado, segundo a organização. O crescimento também aparece na comparação com a edição anterior: a 26ª Construsul, em 2025, havia recebido cerca de 32 mil visitantes e fechado com 82% das empresas renovadas para o ano seguinte, ou seja, tanto o público quanto a taxa de retenção de expositores melhoraram na edição de 2026.
"Foi uma feira que marcou o mercado ao apresentar novidades importantes e que recebeu um público altamente qualificado", avaliou Ricardo Richter, diretor da Construsul.
Automação, industrialização, construção a seco, redução de desperdício e ganho de produtividade no canteiro estiveram entre os temas mais recorrentes dos lançamentos apresentados na feira. Um dos destaques da programação foi o uso de inteligência artificial para automatizar rotinas administrativas de obra, otimizar orçamentos, prever falhas construtivas e reforçar a segurança do canteiro - aplicações que já saem do discurso e aparecem em produtos comerciais oferecidos a construtoras de pequeno e médio porte, não só às grandes incorporadoras.
Fabricantes de materiais e ferramentas também usaram o evento para lançamentos: a Lorenzetti apresentou sua Coleção 2026 de louças, metais e sistemas hidráulicos, e o Âncora Group estreou a marca Âncora Tools, com um portfólio inicial de mais de 180 produtos entre ferramentas elétricas, a bateria e equipamentos de medição a laser - mostrando que a onda de tecnologia no setor não se limita a softwares de gestão, mas passa também pela ferramenta física usada todos os dias no canteiro.
O interesse por automação mostrado em Porto Alegre reflete um movimento que já saiu do papel em outras partes do país: impressoras 3D de grande porte, que erguem paredes estruturais camada por camada a partir de um modelo em BIM, já constroem casas completas em cerca de 24 horas de trabalho automatizado em obras-piloto no Brasil, com redução de custo estimada em até 40% em relação ao método convencional, segundo reportagens do Olhar Digital. Drones também vêm sendo incorporados à rotina de acompanhamento de obra, sobrevoando canteiros para gerar nuvens de pontos 3D comparadas ao modelo BIM e calcular o avanço físico da construção com precisão centimétrica - uma tarefa que antes dependia de medição manual e relatórios semanais.
Feiras como a Construsul funcionam como termômetro do que vai chegar ao canteiro de obras brasileiro nos próximos 12 a 24 meses: da adoção de IA em rotinas administrativas até novas linhas de ferramentas e sistemas construtivos a seco, os lançamentos mostrados em Porto Alegre tendem a se espalhar primeiro entre construtoras regionais do Sul e depois para o restante do país. Para gestores de obra e engenheiros, acompanhar esse tipo de evento é uma forma direta de identificar, com meses de antecedência, quais tecnologias vão de fato virar padrão de mercado e quais ainda são promessa distante do canteiro real.
Fontes: 27ª Construsul (Feira Internacional da Construção), Jornal da Capital, Rádio Pampa, Portal Radar, O Sul, Olhar Digital.

