Orçamento de obra
Gestão
May 19, 2021

Orçamento de obra: tudo o que você precisa saber para um orçamento eficiente

Que atire a primeira pedra o profissional que nunca ouviu de um cliente: “Quanto custa fazer uma casa ou uma reforma?” Aí você fica se questionando por onde começar a explicar que o custo de uma obra precisa ser estudo em função de muitas variáveis. O cliente segue: “Ah! Mas é só uma ideia de quanto vai custar…” Ok, em situações como essa, é preciso se munir de argumentos certeiros para desfazer a ilusão de que o custo é um chute. 

O primeiro argumento é saber comunicar a importância e ter domínio do que é um orçamento de obra. Sabemos que é possível passar um valor antes mesmo de começar a orçar um projeto, no entanto, trata-se de uma estimativa bastante superficial, feita com base em orçamentos anteriores.

Por isso, para te ajudar a elaborar um orçamento de obra correto e eficiente trouxemos, neste artigo, as informações do que você precisa saber para elaborá-lo, um checklist do que não pode faltar em uma proposta e as facilidades de utilizar softwares específicos para essa função. Vamos começar?

Aproveite a leitura!

Como fazer um orçamento de obra

O orçamento de obra é um documento que auxilia a visualização do investimento de um cliente em relação aos custos de itens diversos, mão de obra da construção e do serviço prestado pela sua empresa/escritório para a execução de um projeto, seja ele total ou apenas uma reforma. Mais do que isso, ele é um documento essencial para uma gestão de obras funcionar de maneira satisfatória.

Estamos falando de uma tarefa complexa e difícil de realizar, porém, que será utilizada como referência do início ao fim de uma obra. Isso porque sua função, de modo geral, é permitir o planejamento dos custos, prevenindo as oscilações de preço e falta de produtos, ao mesmo tempo em que passa, de forma realista e com maior exatidão, o investimento para a execução do escopo.

Na prática, podemos dizer que um orçamento de obra envolve tantas análises e detalhes que passam ilesos ao projeto em si que, por vezes, é nesse momento que se descobre a exequibilidade da proposta. Quando já se tem um estudo de viabilidade, esta estimativa é a ferramenta que possibilita tomar decisões quanto aos produtos, no sentido de promover trocas e pesquisar descontos, mantendo a qualidade com custo mais acessível ao cliente.

Ainda assim, o orçamento de obra não é garantia de um custo fiel. Se bem elaborado, o que ele faz é atuar como uma ferramenta de estimativa com boa precisão, tendo em vista que dificilmente, no decorrer do tempo, a obra ficará isenta de sofrer impactos no aumento de custo, ainda que em pequenas variações.

São muitos os fatores que ditam o preço de um produto e eles fogem do controle do profissional, como por exemplo: as decisões de política econômica, o equilíbrio entre oferta e demanda de produtos e profissionais em um determinado período, a própria pandemia vivenciada neste momento, as intempéries, os atrasos na compra dos itens, imprevistos de obra e etc. E nesse sentido, é importante dar limites às expectativas do cliente apresentando um documento que não soe como conclusivo ou que você possua a competência de mantê-lo nesse valor a todo custo. 

A estimativa de qualquer item ou serviço possui validade, por isso, você deve estar atento para transmitir essas informações ao cliente a fim de manter os valores apresentados. Não só isso, mas transmitir as informações e frisar a importância de cada uma delas e o porquê das escolhas, pois, o orçamento de obra  tem o poder tanto de seguir com a realização do projeto, quanto de fazer o cliente desistir. 

Falando agora dos benefícios desta etapa, de um modo geral, ela permite controlar os custos da execução da proposta, promover escolhas mais assertivas nas negociações com fornecedores e profissionais bem como na escolha dos produtos. Além disso, trata-se de um documento que auxilia na revisão e compatibilização do escopo para que este possa ser, de fato, executado na íntegra de acordo também com os prazos. Aliás, é através dele que se torna possível montar um cronograma de obra de maneira efetiva. 

São três os tipos de orçamento de obra que você poderá realizar. Na verdade, um é a sequência aprimorada do outro. Vamos apresentar cada um deles a seguir.

1. Estimativa de custos

Como já dito no início deste artigo, é possível apresentar um orçamento de obra ao cliente sem que se tenha realizado o projeto, por meio da estimativa de custos. Mas como? Primeiramente você precisa ter realizado outras obras semelhantes e ter o orçamento desses projetos. 

Com eles, você realiza uma média dos custos do tipo de escopo e serviços que você costuma ofertar. Através desse valor médio encontrado, obtém-se o preço aproximado do metro quadrado do projeto executado. É esse o valor que você pode apresentar ao cliente de maneira informal e rápida, deixando claro que é um valor estimado com base em outras experiências. 

Uma das ferramentas que também auxiliam em uma previsão rápida são as tabelas do Custo Básico Unitário da construção, o famoso CUB, que é aferido e disponibilizado pelos Sinduscons de cada estado. São tabelas atualizadas todos os meses com o valores de custo médio por metro quadrado de diversos itens e serviços que compõem a construção. 

O CUB  ainda classifica esses custos em relação aos padrões de construção: baixo, médio e alto. No entanto, assim como outras ferramentas semelhantes no mercado - como SINAPI e TCPO - nem sempre contemplam todas as características da obra. Nelas não estão inclusos os cálculos de lucro e impostos que devem aparecer no orçamento, por exemplo.

2. Orçamento de obra preliminar 

Nesse formato preliminar de orçamento de obra você já deverá contemplar os custos relativos à quantitativos de produtos e alguns dos trabalhos de equipes e profissionais. Para organizá-lo, será necessário já ter o projeto, não necessariamente o executivo, pois ainda é um levantamento preliminar. Todavia, já é possível fazer a gestão de orçamento na medida em que toma algumas decisões sobre manter ou desclassificar determinado item ou profissional. 

Este modelo fornece uma noção de como organizar o cronograma, compatibilizando os prazos de alguns profissionais e fornecedores com a expectativa da conclusão de obra do cliente. Por exemplo, no caso de uma reforma com projeto de interiores, você já pode estar contabilizando os elementos da iluminação e coletando informações sobre o prazo de entrega, ao mesmo tempo em que avalia o custo da mão de obra para essas instalações e se os profissionais estarão disponíveis no mesmo período que os produtos. Caso um ou outro tenha um prazo que atrasaria muito a entrega, você terá tempo para achar outra solução.

No caso da construção, você já pode levantar e cotar o quantitativo de tijolos, concreto, aço entre outros, bem como custo e disponibilidade de mão de obra para serviço geral e assim por diante.

3. Orçamento de obra completo

Chegamos no momento em que tudo deve constar no orçamento de obra. Esse formato é bastante distinto dos anteriores. Aqui entram as composições de custo para os serviços necessários. Então, tudo que envolve despesa para esse escopo deve entrar no documento. Assim sendo, é preciso entender quais são esses gastos e ainda fazer uso das tabelas de referência para estimativa da construção quando não for possível mensurar.

Os custos que precisam ser cotados e contemplados no orçamento completo podem ser divididos em três categorias: custos unitários, custos diretos e custos indiretos. Vamos entender cada um deles abaixo: 

3.1 Custos unitários

O custo unitário é o que o próprio nome diz, quantificar as unidades dos diferentes insumos e dos serviços para a execução da proposta. Relativo às unidades, tomemos uma parede de alvenaria como exemplo.

Nesse caso, é preciso quantificar e cotar a quantidade de material necessária para construir essa parede: quantos blocos, quanto de argamassa, quanto de massa corrida para a finalização e assim por diante. Mas, para construir essa parede também é preciso profissionais e cada serviço também entra como custo unitário. Dessa forma, é imprescindível cotar o custo da mão de obra para esse serviço, considerando o número de profissionais envolvidos e a relação entre rendimento por hora de cada um. 

Agora, se o caso for uma reforma aliada ao projeto de interiores, - em que hipoteticamente você tenha a troca de pisos, abertura de vãos para integrar espaços, instalação de forro e nova iluminação, marcenaria, móveis soltos, objetos decorativos etc. - tudo isso precisa estar orçado nos mínimos detalhes. Note que, nesta estimativa, também está a equipe que realizará essas atividades, o custo do frete para produtos, dentre outros.

Resumindo, enquanto responsável pelo orçamento de obra, o profissional deverá levantar todos os quantitativos de materiais e operários para execução. Todos esses itens farão parte do que chamamos de custos diretos.

3.2 Custos diretos

É exatamente todo o custo que esteja diretamente ligado aos serviços necessários para a execução do escopo. De forma ampla seriam a mão de obra, os materiais, ferramentas e equipamentos. Para compor esses custos diretos, você precisa fazer o levantamento apurado dos custos unitários. Um ponto importante aqui é sobre a equipe que atua diretamente dentro da obra, pois, incidem nos custos diretos todos os encargos trabalhistas e sociais desses profissionais.

3.3 Custos indiretos 

Essa composição é o segredo de uma estimativa certeira e muitos profissionais esquecem de inserir esses custos e posteriormente sofrem com eventuais prejuízos ou baixo lucro no processo de gerenciamento de obra. Como o nome diz, são custos que não estão diretamente ligados à proposta, mas os serviços que prestam nesse processo precisam ser contabilizados e inseridos no orçamento de obra

Para compreender de maneira prática, imagine você ou a equipe que o auxiliará durante toda a obra, atualizando projeto, orçamento e cronograma. Agora, lembre-se também que, seja escritório ou home office, ambos possuem custos de manutenção, ou seja, água, luz, internet, telefone, impressão, transporte e entre outros. Todos esses custos são indiretos, mas estarão à serviço de determinada obra por determinado tempo, portanto, precisam ser coletados e inseridos nos gastos.

Esse modelo, assim como as demais, não é rígido e tende, inclusive, a alterar mais do que os custos diretos. Nesse sentido, varia muito em relação a cada tipo de obra. A própria condição do espaço, em que se assentará a construção ou será feita reforma, implica nos custos indiretos, exemplo: uma coisa é você construir em um bairro consolidado, outra é mover todos esses materiais, equipes e funções para uma área afastada com dificuldade de acesso.

Além disso, entra nesse cálculo os prazos impostos pelo cliente. Se existe determinada urgência, é importante considerar que você talvez tenha que deixar outros serviços de lado e o quanto isso implicará em despesa para você.

3.3.1 Carga tributária

A carga tributária, que engloba todas as taxas para liberação de execução, impostos e registros de responsabilidade técnica, varia em função do escopo a ser executado. Quando ausente ou não informada ao cliente no orçamento de obra, acarreta não só no aumento dos custos e impacto nos lucros, - se for uma obra destinada à venda - mas também em punições aplicadas à empresa e ao cliente por órgãos de regulação municipal.

3.3.2 Variáveis 

Como já mencionado, o orçamento de obra é uma ferramenta de previsão que, quando realizada com atenção aos mínimos detalhes, se torna bastante confiável. Para isso, é necessário considerar diferentes variáveis como, por exemplo, as questões meteorológicas. O fato é que construir em períodos chuvosos requer mais tempo para a finalização da obra ou a previsão de uma margem de período para execução, considerando um limite de atrasos. Assim sendo, é preciso que o orçamento dê conta de acompanhar as mudanças.

3.3.3 Lucros

Definir o lucro de uma construção, ou a valorização de um imóvel após reforma, não é tarefa simples. Novamente, nesses casos, entram variáveis que envolvem a estrutura de cada empresa e as particularidades de cada mercado.

3.3.4 Cálculo e BDI 

A sigla significa Bonificação e Despesas Indiretas: é esse cálculo que indicará o lucro da obra, caso ela esteja à venda, associando todas as composições de custos unitários e diretos aos custos indiretos, aos tributos e ao lucro almejado. Para realizar esse cálculo,  é preciso inserir ainda o preço de venda do produto imobiliário construído ou reformado. Com uma busca rápida pela internet você encontrará planilhas modelo que auxiliam a calcular o BDI.

3.3.5 Preço de venda

Trata-se de outro ponto complexo do processo, no que tange a gestão de orçamento, sendo necessário um estudo do preço dos imóveis semelhantes no mercado em que a obra está inserida. O que esse preço representa é o valor que o cliente conseguirá obter com a venda do projeto finalizado. Esse valor, em conjunto com as demais composições, é que dirá se a obra vale a pena economicamente em caso de venda. E para encontrá-lo, existe uma fórmula simples:

Custo direto x (1+BDI/100)

orçamento de obra

Com essas informações, você já sabe o que precisa para elaborar um orçamento de obra e deve ter percebido a importância de ter tudo isso feito antes mesmo de começá-la. 

Depois de sua estruturação, dá-se início a gestão desse orçamento, revisando custos no andamento da obra, redefinindo prioridades em casos específicos e assim por diante. No entanto, os dados fornecidos até aqui são concernentes a informações técnicas que, muitas vezes, podem assustar o cliente ou pior, fazê-lo desistir de executar o projeto. 

Afinal, na maioria dos casos o conhecimento do cliente sobre orçamento de obra é superficial. Portanto, é seu papel levar a ele a informação de forma clara e objetiva, apresentando o porquê destes itens e o porquê do investimento em determinados produtos e profissionais. E como comunicar isso ao cliente? 

Apresentar um orçamento de obra requer preparo e atenção para que o cliente se sinta seguro e convencido a realizar o investimento proposto. Começando pelo óbvio, o documento precisa estar muito bem detalhado e a estrutura, que geralmente é em formato de uma planilha, precisa possibilitar uma leitura acessível ao cliente. Você pode mostrar a ele a sua planilha detalhada com todas as variáveis que foram consideradas para a escolha de um produto ou serviço, mas o ideal é que você providencie uma planilha simplificada com o preço final, já diluídos os encargos e custos indiretos, apenas para fins de acompanhamento do cliente.

Para a apresentação propriamente dita, você pode fazer uso de recursos como o powerpoint e outros programas, apresentando de forma hierárquica diferenciando o grau de prioridade em aquisição de cada um. Isso ajuda o cliente a tomar decisões de investimento. Como ele não dispõe do mesmo conhecimento técnico que você, além de mostrar o que será feito e as prioridades, é preciso transparecer que o objetivo da obra concluída pode ser alçado ainda que com ajustes orçamentários. Portanto, priorize sempre a apresentação de forma pessoal, pois, a comunicação é facilitada para o melhor entendimento da estimativa nesse processo.

Sabemos que, a essa altura, você deve estar cansado desta leitura densa de dados técnicos e deseja saber como montar uma proposta para estruturar um orçamento de obra para seu cliente. Pensando nisso, preparamos um checklist a seguir.

Checklist de proposta de orçamento de obra

Essa é uma lista de questões importantes que devem ser colocadas em uma proposta, a fim de que seu potencial cliente o perceba como um profissional sério e competente a ser contratado.

✔️ Objetivo do orçamento: É a descrição das informações da obra. Se é uma estimativa de execução de reforma ou construção de uma casa, edifício, etc. Também se inclui, aqui, dados sobre o local e dados do projeto: pavimentos, número do metro quadrado, sistema construtivo, entre outros;

✔️ Formato de trabalho: Especificação do funcionamento das etapas do orçamento prévio e final;

✔️ Prazos: Definição dos prazos que você e sua equipe precisam para elaborar o orçamento de obra completo para a execução do projeto;

✔️ Responsabilidades das partes envolvidas: Determinação do que é sua responsabilidade na gestão de orçamento, do que é do cliente e o que possa vir a ser de terceiros; 

✔️ Composições de custos a serem realizados: Especificação dos custos que serão contemplados na estimativa com uma breve explicação sobre cada um: custos unitários, custos diretos, custos indiretos;

✔️ Informação sobre ocorrência de imprevistos: Este item serve para precaver o cliente de que existem questões que escapam do controle profissional e podem impactar no orçamento de obra, deixando-o ciente de que podem sofrer alterações no decorrer da execução do projeto;

✔️ Detalhamento dos itens que compõem o custo: Exemplificação de todas as informações coletadas acerca de um produto ou serviço em uma pequena tabela. Exemplo: quantidade, dimensão do produto, preço por unidade, custo do frete, fornecedor, prazo entre pedido e entrega e assim por diante;

✔️ Formas de pagamento: Discriminação do preço do seu trabalho e as formas de pagamento;

✔️ Validade da proposta: Estipulação de prazo de validade para a proposta de orçamento de obra. Essa etapa faz com que o potencial cliente se sinta na obrigação de dar um retorno, afinal, os custos da estrutura e o valor do seu serviço também se alteram e sofrem reajustes com o tempo.

Melhores softwares para orçamento de obra

orçamento de obra

A boa notícia para você que já estava preocupado em ter que realizar todo esse trabalho burocrático e manual utilizando o famigerado Excel, é que existem muitos softwares voltados aos processos de execução de um projeto. Eles possuem recursos avançados que permitem o gerenciamento todo dentro de uma plataforma só.

Um dos recursos para isso é trabalhar os seus projetos no sistema BIM, pois além de permitir a criação e compatibilização de projetos, também possui recursos para levantamento de quantitativos de material. Existem softwares já bem conhecidos do mercado com foco maior na realização de orçamentos para engenharia, que são o MS Project, Sienge e Trello. 

Porém, com foco nos profissionais arquitetos e designers de interiores, uma inovação no mercado é a plataforma da Vobi. Ela permite especificar produtos e gerar listas de compras automaticamente. Além disso, o cliente consegue, de forma online, juntamente com o profissional, escolher ou desclassificar produtos dentro da plataforma. Todas as demais informações técnicas podem ser inseridas e reaproveitadas em outros orçamentos. O programa também permite ainda simular quantas versões forem necessárias e pode ser acessado do celular ou computador. 

Ficou curioso? Solicite seu convite e descubra como esse programa pode melhorar e muito a gestão do seu escritório de arquitetura e interiores. 


Até a próxima,

Equipe Vobi


Referências:

www.lonax.com.br

www.pedreirao.com.br

www.sienge.com.br

www.ibecensino.org.br

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