
As vendas de imóveis residenciais novos no Brasil somaram 113,6 mil unidades no segundo trimestre de 2026, alta de 5,3% em relação ao mesmo período de 2025, segundo levantamento da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) em parceria com a consultoria Brain Inteligência Estratégica, divulgado em 24 de agosto. Os números cobrem 221 cidades e consideram apenas imóveis residenciais.
O contraste do trimestre está nos lançamentos: eles somaram 107,2 mil unidades, queda de 1,3% na mesma comparação anual. No acumulado do primeiro semestre, os lançamentos totalizaram 211,6 mil unidades, leve baixa de 0,3%, enquanto as vendas chegaram a 226,5 mil unidades, expansão de 5,4% ante o primeiro semestre de 2025.
“A redução nos lançamentos mostra o peso dos juros altos nas atividades do setor. Por outro lado, as vendas demonstram que o mercado permanece saudável”, afirmou Celso Petrucci, conselheiro da CBIC e economista-chefe do Secovi-SP, durante apresentação à imprensa.
A taxa Selic em 14% ao ano segue como o principal obstáculo citado pelo setor: sondagem da Confederação Nacional da Indústria (CNI) em parceria com a CBIC mostrou que 36,2% dos empresários da construção apontam os juros elevados como o maior problema do momento, à frente da carga tributária (33%) e da falta ou alto custo de mão de obra qualificada (28%). Mesmo assim, o Índice de Confiança da Construção chegou a 92,3 pontos em julho, com melhora pontual nas edificações residenciais.
Parte da explicação para a resiliência das vendas está no protagonismo do Minha Casa, Minha Vida (MCMV): o programa respondeu por 58% dos lançamentos do trimestre, maior participação desde o início da série histórica da CBIC, em 2019. Como os imóveis do MCMV têm ticket médio menor, o valor geral de vendas (VGV) dos lançamentos caiu 23,6% na comparação anual, para R$ 62,4 bilhões, e o valor médio do imóvel lançado recuou de R$ 751,9 mil para R$ 581,9 mil em um ano.
“O mercado imobiliário está mostrando bastante resiliência”, declarou Petrucci.
O estoque de imóveis residenciais novos, que soma unidades na planta, em obras e recém-entregues, fechou junho em 335,3 mil unidades, alta de 8,2% em um ano. No ritmo atual de vendas, esse volume é suficiente para abastecer o mercado por 9,5 meses, patamar considerado equilibrado pela própria CBIC.
“A oferta final de imóveis está em uma situação muito equilibrada. Esse estoque tem sido coerente e saudável em relação à média das vendas dos últimos trimestres”, avaliou Petrucci.
Para 2027, a CBIC projeta que o setor continuará dependente do crédito habitacional subsidiado e dos programas de habitação popular, enquanto aguarda a entrada em operação plena do novo modelo de financiamento imobiliário, com maior participação de recursos do mercado financeiro e de Letras de Crédito Imobiliário (LCIs). A entidade já havia projetado, em maio, crescimento de 1,2% para o PIB da construção em 2026, abaixo da expectativa anterior, de 2%.
Para incorporadoras e construtoras, os números do segundo trimestre confirmam um cenário de dois andares: quem lança dentro das faixas do MCMV segue vendendo bem e sustentando caixa, enquanto o padrão médio e alto sofre mais com o crédito caro e freia novos lançamentos. Planejar o mix de produtos para os próximos trimestres passa por assumir que a Selic em patamar elevado deve continuar concentrando a demanda solvável na faixa de menor ticket, pelo menos até que o novo modelo de financiamento imobiliário amadureça.
Fontes: Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Confederação Nacional da Indústria (CNI), Diário do Comércio, Forbes Brasil.

