Tecnologia

Robôs chineses da BMR chegam às obras do Brasil pela mão do Grupo Minas Brisa

4/9/2026

O Grupo Minas Brisa, construtora mineira de alto padrão, se tornou representante exclusiva no Brasil da BrightMaster Robotics (BMR), fabricante chinesa líder global em automação para a construção civil, e será a primeira empresa do país a empregar uma linha completa de robôs operários diretamente em suas próprias obras.

O acordo foi assinado durante a Concrete Show 2026, realizada de 25 a 27 de agosto no São Paulo Expo, mas o centro da notícia não é a feira: é a chegada ao mercado brasileiro de uma linha de oito equipamentos que promete atacar um problema estrutural do setor. Segundo a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) e a FGV Ibre, a escassez de mão de obra qualificada é hoje apontada como a principal limitação ao crescimento da construção civil no país.

“A falta de profissionais qualificados deixou de ser um obstáculo temporário para se tornar um gargalo estrutural na construção civil brasileira”, afirma Marcos Almeida Magalhães, CEO do Grupo Minas Brisa.

O portfólio da BMR inclui robô de lixamento de massa, robô de pintura interna, robô de nivelamento de concreto, robô de logística universal (capaz de transportar até 420 kg de materiais por rota automatizada), robô de medição com escaneamento 3D de até 400 metros de alcance, robô de limpeza, elevador inteligente e robô de pintura de fachada. De acordo com a fabricante, os modelos executam tarefas até três vezes mais rápido do que uma equipe convencional, e reportagem do Diário do Comércio aponta potencial de redução de 30% no custo da mão de obra e de dobrar a produtividade em determinadas etapas do canteiro.

Os equipamentos têm preços que variam de R$ 250 mil a R$ 1 milhão, a depender do modelo, e cada robô pode substituir o equivalente a três ou quatro trabalhadores em tarefas repetitivas e pesadas, segundo dados do setor. A proposta declarada pela Minas Brisa não é reduzir postos de trabalho, mas realocar profissionais para funções de supervisão e controle de qualidade.

“Fomos buscar fora do país uma solução para a nossa própria operação. A sintonia com a BMR foi tão profunda que deixamos de ser apenas clientes para assumir a expansão dessa revolução robótica no Brasil e na América Latina”, completa Magalhães.

Além de representar a marca no mercado brasileiro, o Grupo Minas Brisa passou a responder também pela Argentina e pelo México, ampliando o alcance comercial da BMR na região. A companhia afirma que pretende iniciar o uso dos robôs em seus próprios empreendimentos residenciais de alto padrão em Minas Gerais antes de expandir a oferta para outras construtoras.

Do ponto de vista da segurança do trabalho, a automação também é apresentada como resposta a um problema recorrente nos canteiros brasileiros: o risco de lesões associadas ao transporte manual de cargas pesadas e a exposição a materiais como massa corrida e tinta.

“Nossa indústria ainda possui resistências, mas o canteiro robótico é um caminho sem volta. Uma máquina que carrega centenas de quilos elimina o risco de lesões graves e preserva o trabalhador para funções de supervisão e inteligência. Não estamos substituindo pessoas, e sim evoluindo o papel do trabalhador da construção no Brasil”, diz Marcos Almeida Magalhães Junior, diretor-executivo do Grupo Minas Brisa.

Por que isso importa?

Para incorporadoras e construtoras brasileiras, a chegada comercial de uma linha robótica completa, com preço, prazo de entrega e representante local definidos, muda o debate sobre automação de canteiro: deixa de ser uma promessa de feira para virar item de orçamento. Num setor pressionado por juros altos e falta crônica de mão de obra qualificada, empresas de médio e grande porte devem passar a considerar a robótica não como diferencial de marketing, mas como ferramenta concreta para sustentar prazo e margem de obras residenciais e comerciais nos próximos anos.

Fontes: Eae Máquinas, Diário do Comércio, Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).

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