Gestão de Obras

Custo da construção desacelera para 0,44% em julho, mostra Sinapi do IBGE

28/8/2026

O Índice Nacional da Construção Civil (Sinapi), calculado pelo IBGE, variou 0,44% em julho, taxa 0,75 ponto percentual abaixo da registrada em junho (1,19%). O custo médio nacional por metro quadrado passou de R$ 1.976,37 para R$ 1.985,10, segundo o instituto.

Do total apurado, R$ 1.120,13 correspondem a materiais e R$ 864,97 a mão de obra. A parcela de materiais desacelerou para 0,48% no mês, 0,44 ponto percentual abaixo da taxa de junho. Já a mão de obra variou 0,39%, resultado de um número menor de acordos coletivos fechados no período, uma queda de 1,16 ponto percentual frente ao mês anterior. Com o resultado, o acumulado em doze meses subiu para 7,40%, acima dos 7,26% registrados no ciclo imediatamente anterior.

A desaceleração, porém, não é uniforme entre os estados. A Região Centro-Oeste teve a maior variação mensal do país, 1,18%, puxada por reajustes salariais em categorias profissionais de Goiás, que sozinho acumulou alta de 2,58% em julho, o maior índice estadual do mês. Em seguida aparece o Rio Grande do Sul, com 1,86%, também sob influência de convenção trabalhista. No extremo oposto, a Região Sudeste teve a menor variação, 0,19%, com São Paulo em 0,18% e Rio de Janeiro em 0,15%.

O comportamento do índice mostra como a mão de obra segue sendo a variável mais instável no orçamento de uma obra no Brasil. Enquanto os materiais de construção acumulam alta de 5,81% em doze meses, a mão de obra acumula 9,56% no mesmo período, quase o dobro. A diferença explica por que orçamentos fechados no início de um projeto residencial ou comercial tendem a se descolar da realidade quando a obra atravessa um período de negociação sindical, especialmente em estados onde as datas-base de reajuste caem no meio do ano.

As demais regiões tiveram variações mais moderadas em julho: 0,74% no Norte, 0,69% no Sul e 0,33% no Nordeste. Ainda assim, olhando para o acumulado em doze meses, é o Centro-Oeste que lidera com folga, em 8,68%, seguido do Nordeste, com 8,16%, enquanto o Sudeste, região mais representativa em volume de obras, segue com o menor acumulado do país, 6,77%. A disparidade regional reforça que uma incorporadora com operação em mais de um estado dificilmente consegue usar um único índice nacional como referência confiável de reajuste contratual.

Para construtoras e incorporadoras, o dado de julho chega em um momento de crescimento moderado do setor: a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e o Sindicato da Indústria da Construção Civil de Grandes Estruturas no Estado de São Paulo (SindusCon-SP) projetam expansão do PIB da construção entre 1,2% e 3,1% neste ano, dependendo da fonte, sustentada por investimentos em infraestrutura e pela manutenção do crédito habitacional. Um custo de insumos sob controle é parte importante dessa conta, já que qualquer aceleração volta a pressionar margens em contratos já assinados, sobretudo os fechados a preço fixo.

O IBGE mantém o Sinapi como referência oficial para orçamentos públicos desde 1969, com abrangência nacional e recorte por estado e por tipo de insumo. A próxima divulgação, com os dados de agosto, está marcada para 11 de setembro.

Por que isso importa?

Quem orça uma obra no Brasil trabalha com dois componentes que se movem em velocidades diferentes: materiais, mais sensíveis a câmbio e commodities, e mão de obra, mais sensível ao calendário de negociações sindicais estaduais. O dado de julho reforça que projetos orçados com folga insuficiente para reajustes salariais regionais correm risco de estourar o teto, especialmente em praças como Goiás e Rio Grande do Sul, onde a alta mensal superou 1,8%. Acompanhar o Sinapi estado a estado, e não só o índice nacional, segue sendo o jeito mais direto de antecipar esse tipo de descolamento.

Fontes: IBGE (Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil, Sinapi, julho de 2026); CNI; SindusCon-SP.

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