
O Índice Nacional da Construção Civil (Sinapi), calculado pelo IBGE, variou 0,44% em julho, taxa 0,75 ponto percentual abaixo da registrada em junho (1,19%). O custo médio nacional por metro quadrado passou de R$ 1.976,37 para R$ 1.985,10, segundo o instituto.
Do total apurado, R$ 1.120,13 correspondem a materiais e R$ 864,97 a mão de obra. A parcela de materiais desacelerou para 0,48% no mês, 0,44 ponto percentual abaixo da taxa de junho. Já a mão de obra variou 0,39%, resultado de um número menor de acordos coletivos fechados no período, uma queda de 1,16 ponto percentual frente ao mês anterior. Com o resultado, o acumulado em doze meses subiu para 7,40%, acima dos 7,26% registrados no ciclo imediatamente anterior.
A desaceleração, porém, não é uniforme entre os estados. A Região Centro-Oeste teve a maior variação mensal do país, 1,18%, puxada por reajustes salariais em categorias profissionais de Goiás, que sozinho acumulou alta de 2,58% em julho, o maior índice estadual do mês. Em seguida aparece o Rio Grande do Sul, com 1,86%, também sob influência de convenção trabalhista. No extremo oposto, a Região Sudeste teve a menor variação, 0,19%, com São Paulo em 0,18% e Rio de Janeiro em 0,15%.
O comportamento do índice mostra como a mão de obra segue sendo a variável mais instável no orçamento de uma obra no Brasil. Enquanto os materiais de construção acumulam alta de 5,81% em doze meses, a mão de obra acumula 9,56% no mesmo período, quase o dobro. A diferença explica por que orçamentos fechados no início de um projeto residencial ou comercial tendem a se descolar da realidade quando a obra atravessa um período de negociação sindical, especialmente em estados onde as datas-base de reajuste caem no meio do ano.
As demais regiões tiveram variações mais moderadas em julho: 0,74% no Norte, 0,69% no Sul e 0,33% no Nordeste. Ainda assim, olhando para o acumulado em doze meses, é o Centro-Oeste que lidera com folga, em 8,68%, seguido do Nordeste, com 8,16%, enquanto o Sudeste, região mais representativa em volume de obras, segue com o menor acumulado do país, 6,77%. A disparidade regional reforça que uma incorporadora com operação em mais de um estado dificilmente consegue usar um único índice nacional como referência confiável de reajuste contratual.
Para construtoras e incorporadoras, o dado de julho chega em um momento de crescimento moderado do setor: a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e o Sindicato da Indústria da Construção Civil de Grandes Estruturas no Estado de São Paulo (SindusCon-SP) projetam expansão do PIB da construção entre 1,2% e 3,1% neste ano, dependendo da fonte, sustentada por investimentos em infraestrutura e pela manutenção do crédito habitacional. Um custo de insumos sob controle é parte importante dessa conta, já que qualquer aceleração volta a pressionar margens em contratos já assinados, sobretudo os fechados a preço fixo.
O IBGE mantém o Sinapi como referência oficial para orçamentos públicos desde 1969, com abrangência nacional e recorte por estado e por tipo de insumo. A próxima divulgação, com os dados de agosto, está marcada para 11 de setembro.
Quem orça uma obra no Brasil trabalha com dois componentes que se movem em velocidades diferentes: materiais, mais sensíveis a câmbio e commodities, e mão de obra, mais sensível ao calendário de negociações sindicais estaduais. O dado de julho reforça que projetos orçados com folga insuficiente para reajustes salariais regionais correm risco de estourar o teto, especialmente em praças como Goiás e Rio Grande do Sul, onde a alta mensal superou 1,8%. Acompanhar o Sinapi estado a estado, e não só o índice nacional, segue sendo o jeito mais direto de antecipar esse tipo de descolamento.
Fontes: IBGE (Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil, Sinapi, julho de 2026); CNI; SindusCon-SP.

