Engenharia civil

Metrô de São Paulo e Malha Sul colocam o Brasil no ranking dos 100 maiores projetos de infraestrutura do mundo

7/10/2026

A edição 2026 do relatório Strategic Top 100, da consultoria norte-americana CG/LA Infrastructure, analisou 1.834 projetos em 134 países e selecionou 100 empreendimentos em 47 nações, que somam US$ 310 bilhões em investimentos de curto prazo. O Brasil aparece na lista com obras de mobilidade urbana, ganha um capítulo próprio sobre a reconcessão ferroviária da Malha Sul e tem um campus de data center citado entre os destaques de infraestrutura digital. O recado principal do estudo, porém, vale para qualquer canteiro: o gargalo deixou de ser dinheiro e passou a ser velocidade de execução.

Entre os projetos brasileiros ranqueados estão a expansão da Linha 2 do Metrô de São Paulo, avaliada em US$ 250 milhões e posicionada em 30º lugar, e a primeira fase do Programa de Eletromobilidade da Caixa Econômica Federal, de US$ 550 milhões, na 53ª posição. Os dois estão em fase de construção, segundo a CG/LA. O critério de seleção combina mérito técnico, viabilidade de financiamento e impacto econômico, e o relatório é usado como referência por governos, reguladores e investidores. No topo do ranking global estão o Porto de Tuas, em Singapura (US$ 25 bilhões), a usina nuclear de Guangdong Taipingling, na China (US$ 6 bilhões), e o sistema de transmissão Shanbei-Anhui, também chinês (US$ 3,5 bilhões).

O capítulo dedicado à integração sul-americana detalha a Malha Sul, rede de 4.278 km de ferrovias que liga áreas produtoras de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul aos portos de Paranaguá, São Francisco do Sul e Rio Grande, com conexão à rede argentina em Uruguaiana. O capex estimado é de US$ 2,8 bilhões. A concessão atual, operada pela Rumo desde 1997, termina em fevereiro de 2027, e o novo contrato prevê 30 anos de operação para cerca de 4.250 km de vias. A audiência pública foi encerrada em 30 de setembro e o projeto está em fase de ajuste da contratação. O relatório também cita o terminal Tecon Santos 10 (STS-10), no Porto de Santos, orçado em US$ 1,2 bilhão, como peça do mesmo corredor logístico.

"A restrição central no mercado de infraestrutura deixou de ser o capital financeiro e passou a ser a velocidade de execução das obras e a agilidade dos processos de licenciamento", afirma Anand Hemnani, sócio-gerente da CG/LA Infrastructure.

Os números do estudo sustentam a afirmação. Na China, 35% dos projetos listados já estão em estágio avançado; nos Estados Unidos, a taxa cai para 8%, por causa de atrasos no licenciamento. Entre os 100 selecionados, 80% estão nas fases de contratação ou construção. A consultoria estima que o investimento global em infraestrutura precisaria chegar a US$ 5,5 trilhões por ano para atender à demanda. Entre os temas em alta, o setor elétrico soma US$ 89 bilhões em 15 projetos de eólica offshore, transmissão e baterias, e a infraestrutura digital para inteligência artificial reúne US$ 61 bilhões em data centers, com menção ao campus RiverHook Village 1, em Pindamonhangaba (SP), avaliado entre US$ 1 bilhão e US$ 1,9 bilhão.

"Os países que simplificarem os trâmites regulatórios e garantirem a execução rápida dos projetos assumirão a liderança do desenvolvimento econômico global", observa Hemnani.

O diagnóstico conversa com o momento brasileiro. A Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib) projeta cerca de R$ 300 bilhões em investimentos em infraestrutura no país em 2026, um recorde, puxado por transporte e logística (R$ 76,5 bilhões) e saneamento (R$ 44,5 bilhões). A entidade contabiliza mais de 580 projetos licitáveis nas esferas federal, estadual e municipal, que somam cerca de R$ 780 bilhões a serem executados nos próximos anos. Ou seja: há carteira e há capital. O que vai separar o Brasil dos líderes do ranking é a capacidade de transformar contrato assinado em obra entregue no prazo.

Por que isso importa?

Para construtoras de infraestrutura, empreiteiras médias e fornecedores que atuam como subcontratados nessas obras, o relatório da CG/LA funciona como um aviso de mercado. Se a restrição agora é execução, quem consegue planejar melhor, mobilizar equipe rápido, controlar suprimentos e reportar avanço físico com precisão passa a ter vantagem competitiva real nas licitações e nas concessões que vêm por aí, como a própria Malha Sul. A carteira de R$ 780 bilhões apontada pela Abdib vai exigir milhares de frentes de obra simultâneas, e o histórico brasileiro de atrasos por licenciamento, projeto incompleto e gestão frágil de canteiro é justamente o que investidores internacionais olham antes de colocar dinheiro. Organizar a gestão agora é se preparar para disputar esse ciclo.

Fontes: CG/LA Infrastructure e Strategic Infrastructure Performance Institute, relatório Strategic Top 100 2026, via Revista Grandes Construções (01/10/2026); Abdib, via CNN Brasil e Exame.

As notícias que movem o setor da construção civil, direto no seu e-mail

Tendências, tecnologia e gestão de obras em uma leitura rápida. Assine gratuitamente e fique por dentro.
Ao se inscrever, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade.

Continue lendo: