
O Lotus Tower, complexo corporativo em construção na Asa Norte, em Brasília (DF), está consumindo 1.220 toneladas de cordoalhas de aço para viabilizar pavimentos de até 6 mil m², vãos livres de até 16 metros e balanços suspensos de 5,8 metros. A solução em concreto protendido fez do empreendimento dono da segunda maior laje corporativa do país e da maior estrutura protendida do Centro-Oeste, segundo a Belgo Arames, fornecedora do aço usado na obra.
O empreendimento, da construtora e incorporadora brasiliense Lotus, soma cerca de 170 mil m² de área construída e reúne escritórios, áreas comerciais, centro de convenções, auditório para 396 pessoas e heliponto. A entrega está prevista para 2027. O projeto também mira as certificações LEED Gold, Procel nível A e Fitwel, e já movimentou o mercado: uma das torres foi vendida para a EQI Asset por R$ 381 milhões, como noticiado pelo Metro Quadrado e pelo Hub Imobiliário. É considerado por veículos do setor a maior obra privada em andamento na América Latina.
O desafio de engenharia estava em conciliar duas exigências que costumam brigar entre si: lajes enormes, com poucas interferências de pilares para dar flexibilidade ao layout dos escritórios, e cargas estruturais elevadas. A protensão resolve isso ao introduzir esforços de compressão no concreto por meio de cordoalhas de aço tensionadas, o que permite elementos mais esbeltos, vãos maiores e menos pilares. No Lotus Tower, foram usadas cordoalhas do tipo CP-190, certificadas pela ABNT.
"As dimensões do projeto exigiram uma solução capaz de combinar resistência estrutural, flexibilidade arquitetônica e eficiência construtiva. A tecnologia de protensão foi fundamental para viabilizar esses requisitos, permitindo vencer grandes vãos e otimizar o uso de materiais sem comprometer a segurança da estrutura", afirma Jeferson Rocha, gerente de Construção Civil da Belgo Arames.
Além do ganho arquitetônico, a escolha tem efeito direto na rotina do canteiro. Com menos pilares e lajes mais finas, cai o volume de concreto e de fôrmas por pavimento, e o ciclo de execução pode ficar mais curto. Em contrapartida, a protensão exige planejamento fino: a sequência de concretagem, o momento certo de tensionar os cabos, o controle de resistência do concreto antes da protensão e a liberação do escoramento precisam estar amarrados no cronograma. Um atraso no ensaio de corpo de prova, por exemplo, segura toda a frente de serviço do andar. Por isso, o controle de qualidade e a rastreabilidade do material ganham peso, especialmente em obras desse porte.
"Participar de uma obra dessa magnitude reforça a capacidade da indústria brasileira de desenvolver soluções alinhadas aos mais elevados requisitos técnicos do setor", completa Rocha.
O caso também reforça um movimento que o mercado já vinha sinalizando: Brasília entrou de vez no mapa dos edifícios corporativos AAA, segmento que até pouco tempo era quase exclusivo de São Paulo e do Rio de Janeiro. A venda de uma torre para um fundo e o interesse de investidores institucionais mostram que o produto corporativo de alto padrão fora do eixo tradicional tem demanda, e que soluções estruturais mais sofisticadas deixaram de ser exclusividade das grandes capitais.
A protensão não é novidade técnica, mas ainda é subutilizada em obras médias no Brasil, muitas vezes por receio de custo inicial ou falta de equipe treinada. O Lotus Tower mostra o outro lado da conta: menos pilares, mais área útil vendável ou alugável e um produto mais flexível para o cliente final. Para construtoras e projetistas, o recado é avaliar a protensão já na concepção, e não como ajuste tardio, e preparar o canteiro para o nível de controle que ela exige. Cronograma amarrado entre concretagem, ensaios e tensionamento, rastreabilidade de material e registro diário de cada etapa deixam de ser burocracia e passam a ser condição para a laje sair no prazo.
Fontes: Belgo Arames, via Revista Grandes Construções (30/09/2026); PiniWeb; CTE; Exame; Metro Quadrado; Hub Imobiliário.

