Gestão de Obras

Custo da construção desacelera a 0,25% em setembro

29/9/2026

O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-M), calculado pela Fundação Getulio Vargas, subiu 0,25% em setembro, bem abaixo dos 0,85% de agosto. O alívio veio principalmente da mão de obra, que passou de uma alta de 1,56% para 0,37%. Só que, na mesma semana, duas sondagens mostraram o outro lado da moeda: o empresário da construção está mais pessimista com os próximos meses, e isso já aparece nos planos de compra, contratação e investimento.

Com o resultado de setembro, o INCC-M acumula 6,61% em 12 meses, segundo a FGV. Todos os grupos desaceleraram. Materiais e Equipamentos saíram de 0,33% para 0,17%, e Serviços, de 0,33% para 0,15%. Entre os itens que mais ajudaram a segurar o índice estão vergalhões e arames de aço ao carbono, que passaram de alta de 0,19% para queda de 0,27%; tubos e conexões de PVC, que foram de alta de 2,92% para recuo de 0,48%; e o barracão de obra/container, que caiu 1,07%. Na ponta contrária, os condutores elétricos aceleraram de 1,86% para 2,34%, e as categorias de pedreiro, carpinteiro, eletricista e engenheiro ainda subiram na casa de 0,44%, mesmo desacelerando em relação a agosto.

A trégua nos custos, porém, não se converteu em otimismo. O Índice de Confiança da Construção (ICST), também da FGV, recuou 1,4 ponto em setembro, para 90,5 pontos, com queda de 0,4 ponto na média móvel trimestral, para 91,6 pontos. A piora foi puxada pelas expectativas, que caíram 1,6 ponto, para 90,5 pontos, enquanto a avaliação da situação atual recuou 1,0 ponto, para 90,7 pontos. O segmento de Obras de Infraestrutura teve a maior retração do mês. O Nível de Utilização da Capacidade (Nuci) do setor caiu 0,7 ponto percentual, para 78,1%, com a ocupação de máquinas e equipamentos em 72,8%.

"Vale destacar que o indicador de expectativas recuou em todos os segmentos, sinalizando que as empresas da construção estão mais cautelosas em relação à demanda futura, o que se refletiu também em projeções menos otimistas para a expansão do emprego. O cenário captado na pesquisa de setembro é de cautela e pessimismo moderado", afirmou Ana Maria Castelo, coordenadora de Projetos da Construção do FGV IBRE.

A Sondagem Indústria da Construção, da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgada pela CBIC, reforça o diagnóstico. O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) da Construção caiu de 47,2 para 45,5 pontos e está abaixo da linha de 50 pontos, que separa confiança de falta de confiança, pelo 21º mês consecutivo. A maior queda entre as expectativas foi a de compras de insumos e matérias-primas, que despencou 4,3 pontos, de 50,1 para 45,8, voltando a indicar redução de compras nos próximos seis meses. As expectativas de nível de atividade (47 pontos), de novos empreendimentos e serviços (46,1 pontos) e de número de empregados (48 pontos) também estão abaixo de 50. A pesquisa ouviu 313 empresas entre 1º e 11 de setembro.

Os dados de agosto mostram que a cautela já saiu do discurso e chegou ao canteiro. O índice de evolução do número de empregados ficou em 45,8 pontos, o menor para um mês de agosto desde 2017, segundo a CNI. A intenção de investimento recuou 2,7 pontos, para 39,7 pontos, o menor patamar para setembro desde 2019. É um retrato coerente com um setor que opera com juros de dois dígitos há mais de quatro anos, que vê a carteira de novos projetos minguar e que ainda lida com a discussão sobre o fim da escala 6x1 no Congresso.

Há uma leitura prática importante nesse descompasso. Com custos subindo menos e demanda esfriando, o poder de negociação tende a migrar para quem compra. Fornecedores de aço, PVC e locação de estruturas provisórias já mostram preços mais comportados, enquanto a mão de obra qualificada segue como o item mais caro e mais difícil de repor. Materiais elétricos, na contramão, continuam pressionando orçamentos de instalações.

Por que isso importa?

Para construtoras, empreiteiros e escritórios que tocam obra, setembro traz uma janela curta: é um bom momento para revisar cotações, renegociar contratos de fornecimento de aço e hidráulica e travar preços antes que o cenário mude de novo. Ao mesmo tempo, a queda nas expectativas de demanda pede mais disciplina no fluxo de caixa e na previsão de medições, porque obra que perde ritmo por falta de venda ou de crédito costuma estourar prazo e margem ao mesmo tempo. Quem acompanha o custo real de cada etapa, compara orçado e realizado com frequência e sabe exatamente onde está o peso da mão de obra no próprio orçamento chega mais preparado para um fim de ano que o próprio setor já enxerga como de cautela.

Fontes: FGV IBRE (INCC-M de setembro de 2026 e Sondagem da Construção de setembro de 2026), Confederação Nacional da Indústria (Sondagem Indústria da Construção, via Agência CBIC), Diário do Grande ABC/Estadão Conteúdo e ADVFN News.

As notícias que movem o setor da construção civil, direto no seu e-mail

Tendências, tecnologia e gestão de obras em uma leitura rápida. Assine gratuitamente e fique por dentro.
Ao se inscrever, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade.

Continue lendo: