
A Tor Alva, torre de quase 30 metros com quatro andares e 32 colunas de concreto branco impressas em 3D por robôs, sem nenhuma fôrma, é descrita pela ETH Zurique como a torre impressa em 3D mais alta do mundo. Revelada em maio de 2025 na aldeia suíça de Mulegns, ela segue de pé e continua sendo referência de como a construção digital pode produzir estrutura de verdade, e não apenas protótipo.
O projeto é uma parceria entre a fundação cultural Nova Fundaziun Origen e o laboratório de Tecnologias Digitais de Construção da ETH Zurique, com o arquiteto Michael Hansmeyer e os professores Walter Kaufmann, Robert Flatt e Benjamin Dillenburger, além da spin-off Mesh e da construtora Zindel United. As colunas foram impressas no campus Hönggerberg, em Zurique, ao longo de cinco meses, e depois transportadas para o local. Segundo reportagem do Correio Braziliense, foram cerca de 900 horas de impressão.
O processo usa dois robôs trabalhando juntos. Um deposita o concreto camada por camada, com um material desenvolvido especialmente para o projeto e dois aditivos misturados antes do bico de saída, o que cria o relevo com aspecto de gotas. O outro posiciona um anel horizontal de reforço a cada 20 centímetros. Depois da impressão, barras longitudinais são inseridas nas colunas. A equipe resume a proposta dizendo que a Tor Alva mostra como técnicas digitais permitem erguer estruturas portantes sem fôrmas, justamente a etapa que mais consome madeira, mão de obra e prazo em uma obra de concreto.
Outro detalhe de engenharia chama atenção: as peças são unidas sem adesivos, com parafusos removíveis e cabos de pós-tensão. A torre deve ficar cerca de cinco anos em Mulegns e pode ser desmontada e remontada em outro lugar, ideia que se aproxima da lógica da construção industrializada, em que a estrutura é pensada como um conjunto de componentes e não como um bloco monolítico. O custo do projeto não foi informado nas fontes consultadas.
A inauguração reuniu autoridades e pesquisadores. O presidente da ETH Zurique, Joël Mesot, destacou que a torre combina os resultados mais recentes da pesquisa com a experiência de empresas e especialistas, e o conselheiro federal Guy Parmelin se disse convencido de que ela será um marco cultural e turístico. As visitas guiadas diárias começaram em 23 de maio de 2025, e as apresentações de teatro, em julho do mesmo ano. O desenho também importa para a engenharia: as colunas se afinam e se ramificam ao subir, até formar um espaço em cúpula no topo, uma geometria que seria muito cara de moldar com fôrmas convencionais.
Há também um componente social. Mulegns tem 11 moradores, e a torre foi concebida como polo cultural, com visitas guiadas e apresentações de teatro, para dar nova vida a uma aldeia ameaçada de despovoamento. O fundador da fundação, Giovanni Netzer, disse que o projeto vai além do feito técnico:
Dá a uma aldeia em declínio uma nova chance.
Para quem constrói no Brasil, a lição está menos na forma da torre e mais no método. Eliminar fôrmas, fazer o trabalho pesado em ambiente controlado e levar componentes prontos para o canteiro é o mesmo caminho da industrialização que o setor discute por causa da escassez de mão de obra e do custo crescente de pessoal. A impressão 3D estrutural ainda é cara e restrita a pesquisa, mas já mostra reforço, ligação entre peças e montagem resolvidos. Vale acompanhar quando essa tecnologia chegar a obras repetitivas, como casas e galpões, onde o ganho de prazo pode compensar o investimento.
Fontes: ETH Zurique (comunicado sobre a inauguração da Tor Alva, maio de 2025); Dezeen (21/5/2025); Correio Braziliense (12/6/2026).

