Engenharia civil

Custo da construção desacelera para 0,30% em setembro e fecha 12 meses em 6,81%, mostra Sinapi

12/10/2026

O custo da construção civil no país subiu 0,30% em setembro, o segundo menor resultado de 2026, segundo o Sinapi, índice calculado com dados do IBGE. Em agosto, a alta havia sido de 0,44%, e em setembro de 2025, de 0,50%. O metro quadrado construído passou a custar R$ 1.999,73, contra R$ 1.993,76 no mês anterior, praticamente na marca dos R$ 2 mil.

A desaceleração veio dos dois lados da conta. Os materiais responderam por R$ 1.127,17 por metro quadrado e subiram 0,28% (0,35% em agosto e 0,38% em setembro de 2025). A mão de obra custou R$ 872,56, com alta de 0,33%, bem abaixo dos 0,55% de agosto e dos 0,65% de um ano antes. Na prática, a mão de obra representa cerca de 44% do custo do metro quadrado medido pelo índice, e foi ela que mais perdeu ritmo no mês.

O alívio mensal, porém, não muda o retrato de fundo. No acumulado de 12 meses, o índice geral está em 6,81%, abaixo dos 7,03% da leitura anterior. Os materiais acumulam 5,54% no período, e a mão de obra, 8,53%, quase três pontos percentuais acima. Nos números acumulados divulgados com o resultado, a mão de obra soma 7,31% e os materiais, 4,54%. Ou seja: o insumo que mais pesa na folha das obras continua sendo o que mais encarece o orçamento.

Por região, o Centro-Oeste teve a maior variação do mês, de 1,34%, impulsionada por reajustes salariais. Em seguida vieram Nordeste (0,32%), Norte (0,16%), Sudeste (0,14%) e Sul (0,07%), a menor taxa do país. Entre os estados, os maiores avanços foram de Mato Grosso (3,34%), Alagoas (1,84%), Goiás (0,72%) e Roraima (0,61%). Segundo a divulgação do resultado, apenas dois acordos coletivos foram firmados no período, o que ajuda a explicar a moderação da mão de obra no agregado nacional, e também por que os estados que tiveram dissídios concentraram as maiores altas.

Na comparação com um ano antes, todos os números de setembro são menores: o índice geral caiu de 0,50% para 0,30%, os materiais de 0,38% para 0,28% e a mão de obra de 0,65% para 0,33%, uma queda de quase metade. É um sinal de que a pressão de custos perdeu força em relação ao ano passado, embora o acumulado ainda esteja acima de 6% e bem acima do que muitos contratos de obra previram quando foram assinados. Quem fechou preço no início do ano precisa olhar para essa diferença com atenção.

A leitura recomendada é separar o ruído da tendência. Um mês fraco em acordos coletivos puxa a média para baixo, mas não elimina os reajustes que ainda virão nas datas-base de outras categorias. Por isso, a comparação mais segura para quem orça é a de 12 meses, em que a mão de obra segue acima dos materiais, e a regional, em que a diferença entre o Centro-Oeste e o Sul passou de um ponto percentual em um único mês.

Por que isso importa?

Quem orça e contrata obra no Brasil não paga o índice nacional, paga o custo da sua região e da sua categoria. Se a sua obra está no Centro-Oeste, o reajuste de setembro pode já ter corroído a margem prevista em contrato. Se está no Sul, o mês deu fôlego, mas a mão de obra ainda sobe mais de 8% ao ano. A prática é revisar o orçamento com a composição separada de materiais e mão de obra, checar cláusulas de reajuste e acompanhar as datas-base dos sindicatos locais, porque é nelas que o custo da próxima medição costuma mudar.

Fontes: Sinapi/IBGE (Índice Nacional da Construção Civil, setembro de 2026), conforme divulgado pelo Brasil 247 em 9/10/2026.

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